Em um novo desdobramento jurídico nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou um parecer ao Supremo Tribunal Federal (STF) defendendo a revogação da prisão preventiva de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O órgão ministerial argumenta que, no atual estágio das investigações, não existem fundamentos sólidos que justifiquem a manutenção da medida extrema, sugerindo a substituição da prisão por cautelares alternativas.

No documento assinado pelo Procurador-Geral, a PGR sustenta que os fatos investigados na Operação Compliance Zero não apresentam a “contemporaneidade” necessária para a prisão preventiva, uma vez que se referem a eventos ocorridos em anos anteriores. O parecer indica que o risco à ordem pública ou à instrução criminal pode ser mitigado com medidas menos gravosas, como o recolhimento domiciliar noturno, a entrega do passaporte e a proibição de contato com outros investigados e servidores do Banco Central.
A manifestação da PGR diverge da postura adotada pela Polícia Federal, que considera a liberdade de Vorcaro um risco para a colheita de provas, citando as mensagens de monitoramento de jornalistas e autoridades encontradas em seu celular. Para a Procuradoria, no entanto, o bloqueio de mais de R$ 20 bilhões em ativos e o afastamento dos servidores suspeitos já seriam suficientes para paralisar as supostas atividades ilícitas e garantir a higidez do sistema financeiro sem a necessidade do cárcere.
A decisão final agora cabe ao ministro relator, André Mendonça. Ele pode seguir o entendimento da PGR e colocar o banqueiro em liberdade monitorada ou manter a prisão caso considere que os novos elementos trazidos pela PF como os registros de encontros não oficiais com autoridades comprovam a periculosidade da organização criminosa. A expectativa é que o ministro se manifeste sobre o pedido de liberdade nas próximas 48 horas, dado o caráter de urgência das medidas que envolvem o direito de ir e vir.
Se Vorcaro for solto, a defesa terá vencido sua primeira grande batalha jurídica no caso, embora as investigações sobre lavagem de dinheiro e corrupção continuem em curso. O mercado financeiro e os círculos políticos de Brasília acompanham a decisão com atenção, pois o desfecho pode sinalizar como o STF pretende tratar as acusações de influência indevida que envolvem membros da própria cúpula do Judiciário.