A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou a Operação Perseu7 para desmantelar uma organização criminosa especializada na comercialização de dados pessoais sigilosos. O grupo operava uma plataforma clandestina que facilitava a execução de golpes financeiros em todo o território nacional, utilizando informações obtidas por meio de vazamentos e exploração de vulnerabilidades em sistemas públicos e privados.
A ação, coordenada pelo Departamento de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (DRCC/Decor), mobilizou mais de 80 agentes em seis estados brasileiros. Até o momento, nove pessoas foram presas preventivamente, enquanto quatro suspeitos permanecem foragidos, incluindo os líderes da organização, que estariam escondidos nos Estados Unidos. A investigação detalha que o esquema movimentou mais de R$ 7 milhões entre março de 2021 e março de 2026.
Estrutura criminosa e o mercado de dados vazados
O grupo possuía um nível de organização empresarial, com divisões de tarefas que incluíam desde o desenvolvimento de software até a gestão financeira e lavagem de dinheiro. A plataforma operava sob um modelo de mensalidade, permitindo que criminosos realizassem consultas detalhadas de qualquer cidadão a partir de números de CPF ou CNPJ. As informações disponíveis incluíam endereços, vínculos empregatícios, filiações e históricos processuais.
Segundo a PCDF, as bases de dados eram alimentadas pela exploração de falhas em órgãos públicos, conselhos profissionais e operadoras de telefonia. Esses dados serviam como base para fraudes sofisticadas, como o chamado “golpe do falso advogado”, onde criminosos utilizam informações reais de processos judiciais para ludibriar vítimas e solicitar pagamentos indevidos.
Lavagem de dinheiro e ostentação
Os lucros obtidos com a atividade ilícita eram ocultados por meio de empresas de fachada, contas bancárias de laranjas e a triangulação de criptoativos. Apesar das tentativas de esconder a origem do dinheiro, os investigadores identificaram um padrão de vida de luxo entre os integrantes, com registros de viagens frequentes, uso de veículos de alto padrão e até a construção de residências de luxo com amenidades como jacuzzis.
A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens, incluindo imóveis, veículos e embarcações, até o limite de R$ 7 milhões. A corporação também solicitou a retirada da plataforma do ar, porém, a execução da medida enfrenta dificuldades técnicas, uma vez que o servidor está hospedado fora do Brasil, exigindo cooperação internacional para o encerramento definitivo das atividades do site.
Histórico de combate ao cibercrime
Esta não é a primeira vez que a PCDF atua contra painéis de consulta de dados. Em fevereiro de 2025, a operação Darkspot resultou na desativação do site Max Buscas, que também era utilizado para facilitar golpes online. Naquela ocasião, as investigações revelaram que os responsáveis mantinham um estilo de vida incompatível com a renda declarada, utilizando equipamentos de informática de alto custo e residindo em condomínios de luxo.
Os suspeitos detidos na Operação Perseu7 podem responder por crimes de organização criminosa, lavagem de dinheiro, estelionato, receptação qualificada e invasão de dispositivo informático. Caso sejam condenados, a soma das penas máximas pode ultrapassar 36 anos de reclusão, refletindo a gravidade das infrações cometidas contra a privacidade e o patrimônio de milhões de brasileiros.