A Polícia Federal (PF) estabeleceu como meta o encerramento da primeira etapa das investigações sobre o Banco Master até o final do primeiro semestre de 2026. Esta fase inicial, conduzida no âmbito da Operação Compliance Zero, terá como foco exclusivo a materialidade de crimes financeiros e a análise técnica das movimentações bancárias suspeitas, deixando o desdobramento das conexões políticas para uma etapa posterior do inquérito.

A estratégia dos investigadores é consolidar as provas sobre a suposta fraude de R$ 17 bilhões e a venda de títulos de crédito sem lastro antes de avançar sobre os núcleos de influência. Segundo fontes ligadas à investigação, a PF prioriza agora o cruzamento de dados obtidos com a quebra de sigilo fiscal das empresas de consultoria ligadas ao grupo, visando identificar o caminho do dinheiro e confirmar se houve lavagem de ativos em larga escala.
Foco em Duas Etapas Distintas
A divisão da apuração em fases busca evitar que a complexidade do cenário político atrase a punição de eventuais crimes econômicos:
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Núcleo Financeiro (Fase Atual): Concentra-se na gestão do banco, nas fraudes contra o sistema financeiro e na corrupção de servidores técnicos do Banco Central. O objetivo é fechar o cerco sobre a operação bancária até o meio do ano.
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Núcleo Político e Institucional (Segunda Fase): A partir do segundo semestre, a PF deve se aprofundar nas mensagens e agendas encontradas no celular de Daniel Vorcaro que citam ministros e parlamentares. Esta etapa exigirá o compartilhamento de provas com o Supremo Tribunal Federal (STF) devido ao foro por prerrogativa de função das autoridades envolvidas.
O cronograma da PF também atende a uma necessidade processual: garantir a manutenção das medidas cautelares, como o bloqueio de bens de R$ 22 bilhões, que dependem de uma fundamentação técnica robusta para não serem revertidas nas instâncias superiores. A Procuradoria-Geral da República (PGR), que recentemente manifestou-se contra a prisão preventiva de Vorcaro, deve acompanhar de perto essa consolidação de provas para decidir sobre o oferecimento da denúncia formal.
A decisão de postergar as ramificações políticas visa blindar a investigação de interferências externas e da polarização esperada para o período eleitoral de 2026. Ao focar primeiro nos números e laudos periciais, a Polícia Federal espera entregar ao Judiciário um relatório que comprove a existência de uma estrutura criminosa profissionalizada, para só então detalhar como essa estrutura teria buscado proteção ou benefícios junto ao poder público.