PUBLICIDADE

Moraes vira relator de pedido envolvendo própria esposa, Vorcaro e Lulinha

Em primeiro lugar, a roleta eletrônica do Supremo Tribunal Federal produziu mais uma coincidência surpreendente. De fato, a confirmação de Moraes relator de pedido sobre esposa, do banqueiro Daniel Vorcaro e de Lulinha revoltou os bastidores da capital. Diante desse cenário, surge uma dúvida inevitável entre os juristas em Brasília. Trata-se de uma sorte estatística extraordinária ou de um favorecimento desenhado para enterrar as apurações? Para acompanhar as reviravoltas da política nacional, acesse nossa editoria de política.

Sorteio no STF: mera sorte de sistema ou mecanismo de blindagem?

Em segundo lugar, a distribuição automatizada de processos na Corte voltou a ser centro de duras críticas. Afinal, o sistema informatizado sorteou justamente o ministro citado nas controvérsias para julgar o caso. Nesse sentido, o pedido em questão envolve a atuação de Daniel Vorcaro e menciona a advogada Viviane Barci de Moraes.

Por outro lado, o processo também alcança Fábio Luís Lula da Silva em uma teia complexa de relações. Consequentemente, a presença do próprio magistrado na condução dessa demanda soa como um desafio à imparcialidade judicial. Afinal, qualquer cidadão enxergaria um conflito de interesses evidente nessa designação. Para conferir outras análises sobre os poderes da República, visite a nossa editoria de Brasil.

O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes — Foto: Fotos de Ana Paula Paiva/Valor e Brenno Carvalho/O Globo

O triângulo entre Vorcaro, a família imperial e o fantasma do engavetamento

Além disso, a relação entre o ex-controlador do Banco Master e os círculos do poder ganha contornos dramáticos. Por exemplo, relatórios da Polícia Federal já haviam exposto voos e contratos cruzados envolvendo a frota do banqueiro. Da mesma forma, constam registros de reuniões e acertos entre empresários e familiares de autoridades.

Por essa razão, juristas e parlamentares questionam a utilidade de manter o processo nas mãos de quem deveria se declarar impedido. Desta forma, a decisão de não declinar da relatoria alimenta a suspeita de uma manobra para esvaziar a investigação. De acordo com interlocutores do Congresso, o objetivo final pode ser o rápido arquivamento do expediente. O acompanhamento dos processos institucionais pode ser verificado no site oficial do STF.

Imparcialidade em xeque e o silêncio dos órgãos de controle

Assim sendo, a pergunta que ecoa na praça dos Três Poderes permanece sem uma resposta convincente. Trata-se de um azar astronômico dos investigados ou de um arranjo calculado para blindar os envolvidos?

Em suma, a permanência do ministro na liderança das investigações fragiliza a credibilidade da Suprema Corte. Portanto, o Judiciário brasileiro prefere ignorar o óbvio e manter o controle total sobre os autos. Desta maneira, a justiça cega parece funcionar apenas para preservar as conveniências dos seus próprios integrantes.

Veja também