Quatro horas de projeção no prestigiado Festival de Veneza marcaram a estreia da obra. Com efeito, o novo documentário de Elon Musk, dirigido por Alex Gibney, fala de um homem que simplesmente não apareceu no evento. Além disso, o bilionário não passa cinco minutos sem postar provocações na própria rede social. No entanto, ele foi transformado em um fantasma digital na produção. Como o homem real estava ocupado demais moldando a geopolítica pelo celular, o filme apelou para a inteligência artificial.
Em primeiro lugar, o diretor começou o projeto em 2023. Na época, ele achava que faria um perfil corporativo focado em foguetes e carros elétricos. Contudo, Musk decidiu virar cabo eleitoral de Donald Trump e comprou briga com democracias inteiras. Dessa forma, o resultado virou um calhamaço cinematográfico de quase quatro horas. Afinal, o filme tenta acompanhar o ritmo caótico de um ego gigantesco nas notícias do Portal DF Notícias.
A inteligência artificial no documentário de Elon Musk
Por outro lado, o trailer de menos de um minuto sintetiza toda essa esquizofrenia. De um lado, bajuladores o pintam como o Homem de Ferro da vida real. Por outro lado, o veredito crítico é extremamente implacável. Assim, ele é visto como um capitalista selvagem e cruel. Portanto, não há meio-termo na era atual. Ou você o adora como messias ou o teme como prenúncio do apocalipse digital.
Nesse sentido, a maior ironia da obra é o uso da IA para dar voz ao protagonista ausente. Afinal, ele passa metade do tempo alertando o mundo sobre os perigos da tecnologia. Apesar disso, acabou virando um boneco de ventríloquo algorítmico no longa. Por conseguinte, o avatar do empresário repete suas próprias declarações públicas na tela em uma simulação perfeita.
A reação do bilionário ao filme sobre Musk
Além disso, Gibney garantiu o aval de seus advogados antes de colocar o sósia digital para falar. Isso porque o empresário adora processar quem usa a liberdade de expressão para criticá-lo. Dessa maneira, ver o bilionário morder os dentes de raiva no X é a prova do sucesso da provocação. Com isso, a produção de Alex Gibney atingiu em cheio o seu objetivo crítico.
Em seguida, a transição do Vale do Silício para a extrema-direita global virou o prato principal. Nesse contexto, o longa não se perde no deslumbramento da SpaceX ou da Tesla. Pelo contrário, ele mergulha na lama da influência política real. Deste modo, mostra como o controle de redes sociais transformou um empresário em um soberano sem coroa.
Bastidores da cinebiografia do bilionário
Por causa disso, a obra mapeia essa escalada autoritária sem filtros poéticos. Da mesma forma, revela a interferência direta no governo americano e o apoio a movimentos ultraconservadores. Logo, Musk joga War com o planeta. Certamente, ele não precisa de votos para mandar, pois seu poder econômico atropela a soberania de nações inteiras.
Ademais, a dinâmica de poder exposta pelo longa é assustadora por sua natureza transacional. Isso ocorre porque o empresário possui os satélites que mantêm exércitos conectados. Consequentemente, o documentário de Elon Musk personifica o pesadelo do corporativismo engolindo o Estado democrático de direito.
Para completar, o filme traz depoimentos de quem sobreviveu à sua órbita íntima. Por exemplo, Ashley St. Clair revela ter recusado uma mordaça financeira de quarenta milhões de dólares. Assim, ela prova que o silêncio tem preço, mas o ressentimento público é gratuito. Por fim, a obra encerra com uma nave em chamas na cobertura de notícias de entretenimento. Veneza aplaudiu a autópsia de um império que já cheira a queimado.