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Rassvet: a aposta russa para criar uma rede de satélites própria na guerra

Rassvet: a aposta russa para criar uma rede de satélites própria na guerra
Foto: Adam88/Pond5 Images/IMAGO via DW

A Rússia intensificou o desenvolvimento de sua própria rede de internet via satélite, denominada Rassvet, em um movimento estratégico para reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras no cenário de conflito na Ucrânia. A iniciativa surge após o Kremlin enfrentar dificuldades operacionais decorrentes da ampla utilização da Starlink, serviço da SpaceX, pelas forças ucranianas para coordenar drones, mísseis e comunicações táticas.

No ambiente de combate contemporâneo, a transmissão ininterrupta de grandes volumes de dados é um fator determinante para o sucesso das operações. A superioridade tecnológica garantida pela rede de Elon Musk no início do conflito forçou a Rússia a buscar alternativas soberanas, uma vez que o acesso clandestino aos terminais da empresa americana provou ser insuficiente e instável para as necessidades militares russas a longo prazo.

Desafios técnicos e limitações da rede Rassvet

O projeto, conduzido pela empresa aeroespacial Bureau 1440, enfrenta obstáculos significativos para alcançar a eficiência das megaconstelações ocidentais. Embora a Rússia já tenha colocado 31 satélites em órbita, com a meta de atingir 292 unidades até 2027, a capacidade de transmissão de dados permanece muito abaixo dos padrões da SpaceX ou da OneWeb.

Especialistas apontam que a geração atual da Starlink opera com uma capacidade de 100 gigabits por segundo, enquanto o sistema russo ainda luta para estabilizar sua infraestrutura. Além disso, falhas em lançamentos recentes resultaram em satélites posicionados em altitudes inferiores ao planejado, o que compromete a área de cobertura e a continuidade do sinal sobre o território ucraniano.

Impacto militar e a preocupação ucraniana

Apesar das limitações técnicas, autoridades ucranianas, incluindo o vice-chefe da inteligência militar, Vadym Skibitsky, alertam para a aceleração do programa. A preocupação reside no fato de que, mesmo com uma rede intermitente, a Rússia pode obter vantagens táticas significativas na coordenação de tropas e equipamentos remotamente pilotados.

O sistema, cujo nome significa “aurora” em russo, é visto como uma ameaça crescente à medida que a constelação se expande. Discussões sobre métodos para neutralizar essa infraestrutura já fazem parte da estratégia de defesa da Ucrânia, que reconhece o valor da conectividade como um ativo militar decisivo.

A nova corrida espacial pelo controle das comunicações

O conflito na Ucrânia evidenciou os riscos geopolíticos de depender de infraestruturas privadas para a segurança nacional. Este cenário impulsionou uma corrida global por soberania digital, com potências como a China desenvolvendo suas próprias constelações e a União Europeia investindo no projeto Iris², além da iniciativa Projeto Kuiper, da Amazon.

Para analistas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), a dependência global da SpaceX ainda é um ponto crítico de vulnerabilidade. A expansão de projetos como o Rassvet sinaliza uma mudança na exploração espacial, onde o foco principal deixa de ser a descoberta científica e passa a ser o controle absoluto das comunicações globais e a resiliência militar em tempos de guerra.

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