A Polícia Federal enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira, 5 de março de 2026, novos relatórios de inteligência que detalham a agenda de encontros e comunicações do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, com figuras do alto escalão dos Três Poderes. Os dados, extraídos de dispositivos apreendidos na Operação Compliance Zero, revelam uma rede de influência que teria como objetivo blindar o banco de fiscalizações do Banco Central e garantir decisões favoráveis em processos judiciais bilionários.

As mensagens interceptadas citam nominalmente ministros do STF e membros do primeiro escalão do governo federal. Segundo a PF, Vorcaro utilizava interlocutores e “consultores” entre eles ex-servidores de órgãos reguladores para agendar reuniões fora da agenda oficial. O foco dessas aproximações seria a gestão de passivos regulatórios e a facilitação de operações de crédito consignado junto ao INSS, que estão no centro de uma suposta fraude de R$ 17 bilhões. A descoberta desses diálogos gerou um estado de alerta na Corte, levando o ministro André Mendonça a reforçar o sigilo sobre partes sensíveis do inquérito para evitar o comprometimento de investigações em curso.
A defesa de Daniel Vorcaro nega qualquer irregularidade nos encontros, afirmando que as reuniões faziam parte da atividade institucional legítima de um presidente de instituição financeira e que nunca houve oferta de vantagens indevidas. O Banco Master, em nota, reiterou que suas operações são auditadas e seguem as normas do Sistema Financeiro Nacional. No entanto, para os investigadores, a frequência e o teor informal das mensagens sugerem uma tentativa de “captura institucional” por meio de tráfego de influência, crime que prevê penas de reclusão e multa.
No Congresso, a repercussão dos relatórios impulsionou o pedido de convocação de novos depoentes na CPMI do Banco Master. Parlamentares da oposição exigem que a PF compartilhe o conteúdo integral das mensagens que citam ministros, enquanto a base governista atua para limitar o acesso a dados que envolvam a vida privada de autoridades. O desfecho dessa queda de braço jurídica definirá se o caso permanecerá restrito à esfera criminal financeira ou se evoluirá para uma crise política de grandes proporções, atingindo a cúpula do Judiciário e do Executivo em pleno ano de 2026.
O STF deve decidir nos próximos dias sobre a validade das provas colhidas e se as citações a magistrados exigem o deslocamento de partes do inquérito para o plenário da Corte. Enquanto isso, a Polícia Federal continua o cruzamento de dados bancários para verificar se a rede de influência de Vorcaro resultou em repasses financeiros para empresas ligadas a familiares de autoridades, o que poderia configurar crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.