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Resumão da CPMI do Banco Master: O Esvaziamento dos Depoimentos de Hoje

Resumão da CPMI do Banco Master: O Esvaziamento dos Depoimentos de Hoje

A terça-feira, 3 de março de 2026, foi marcada por um balde de água fria nos trabalhos da CPI do Crime Organizado (que atua em conjunto com a CPMI do INSS no caso Master). A sessão, que prometia revelações sobre falhas de fiscalização e manipulação de mercado, acabou cancelada devido a ausências estratégicas amparadas por decisões judiciais.

Aqui está o que você precisa saber sobre quem não apareceu e as razões jurídicas:

1. Roberto Campos Neto (Ex-presidente do Banco Central)

  • Por que não foi: O ex-chefe do BC foi desobrigado de comparecer após uma decisão liminar do ministro André Mendonça, do STF.

  • A justificativa: A defesa argumentou que Campos Neto já prestou esclarecimentos técnicos anteriormente e que sua convocação atual teria viés político, além de ele ter o direito de não produzir provas contra si mesmo em investigações onde sua gestão é questionada por “omissão”.

2. João Carlos Mansur (Fundador da Reag Investimentos)

  • Por que não foi: Também não compareceu à sessão desta manhã, seguindo o movimento de esvaziamento da oitiva.

  • A justificativa: A Reag Investimentos (liquidada pelo BC em janeiro de 2026) é peça-chave na investigação sobre a venda de créditos podres ao Banco Master. Mansur também obteve o direito de permanecer em silêncio ou não comparecer, visto que é alvo direto de inquéritos da Polícia Federal por violação de normas do Sistema Financeiro Nacional.

3. Daniel Vorcaro (Dono do Banco Master)

  • Situação: O depoimento de Vorcaro já havia sido tornado facultativo pelo STF na semana passada.

  • O motivo: O ministro André Mendonça entendeu que, na condição de investigado, Vorcaro não pode ser compelido a depor. Parlamentares da base governista criticam a decisão, afirmando que a ausência do banqueiro “trava” a descoberta de conexões políticas e o destino dos R$ 17 bilhões sob suspeita de fraude em consignados do INSS.

O Impasse dos Documentos Sigilosos

Além das ausências físicas, a CPMI enfrenta uma guerra de bastidores com a Polícia Federal:

  • O presidente da comissão, senador Carlos Viana, denunciou ontem que a PF está “filtrando” os documentos enviados ao Congresso.

  • A PF alega que está apenas cumprindo ordens judiciais para preservar dados sigilosos que não dizem respeito diretamente ao objeto da investigação (os consignados), enquanto os senadores exigem acesso total às mensagens de Vorcaro, que supostamente citam nomes de ministros do STF e do alto escalão do governo.

A sessão foi oficialmente cancelada por falta de quórum e de depoentes. A cúpula da CPMI agora estuda recorrer ao plenário do STF para tentar derrubar os habeas corpus que estão esvaziando as oitivas desta semana.

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