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Roubo de celular em Fortaleza expõe rede milionária de tráfico ligada ao Comando Vermelho

Roubo de celular em Fortaleza expõe rede milionária de tráfico ligada ao Comando Vermelho
1 de 3 Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, o "Boss", é apontado pela Polícia como um "fornecedor de fornecedores" de drogas — Foto: Reprodução/TV Globo

Um incidente aparentemente comum, o roubo de um aparelho celular em um semáforo de Fortaleza, tornou-se o ponto de partida para uma das maiores investigações recentes contra o crime organizado no Brasil. O dispositivo pertencia a Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, apontado pelas autoridades como um dos principais fornecedores de entorpecentes para o Comando Vermelho, atuando em uma escala que o classificava como um “fornecedor de fornecedores”.

A falha operacional que revelou o “Boss”

Conhecido no submundo do crime pelos apelidos de “Gordão” ou “Boss”, Laércio mantinha uma estrutura rigorosa para separar seus negócios ilícitos da vida pessoal. No entanto, ao ter o celular utilizado para atividades criminosas roubado, o suspeito cometeu um erro estratégico: passou a utilizar seu aparelho pessoal para tentar recuperar o dispositivo perdido e continuar a gestão de suas encomendas de drogas.

Essa transição permitiu que a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro, com autorização judicial, acessassem dados de nuvem e registros telefônicos que revelaram toda a teia de contatos do criminoso. Em áudios interceptados, o “Boss” demonstrava desespero ao notar que contatos de motoristas responsáveis pelo transporte de cargas estavam salvos no aparelho roubado, chegando a acionar facções locais no Ceará para localizar o item.

Logística e apreensões em larga escala

A dimensão do esquema foi confirmada após o cruzamento de dados de conversas com uma apreensão recorde realizada em fevereiro de 2024. Na ocasião, a Polícia Civil de São Paulo interceptou um caminhão em um galpão em Guarulhos, onde mais de 715 quilos de drogas estavam escondidos em tanques de combustível. As investigações concluíram que a carga pertencia a Laércio, que abastecia cerca de 355 favelas controladas pela facção carioca.

O volume financeiro movimentado pelo grupo impressiona as autoridades. Segundo o secretário da Polícia Civil do Rio, Delmir Gouveia, Laércio movimentou cerca de R$ 70 milhões no período analisado. O suspeito atuava como um fornecedor emergencial, suprindo demandas logísticas de facções quando os canais habituais de distribuição enfrentavam entraves operacionais.

Envolvimento de agentes públicos e prisão

A rede criminosa contava com a colaboração de agentes da segurança pública. A investigação aponta a participação de dois policiais militares, responsáveis pela segurança do transporte de entorpecentes e pela logística financeira. Além disso, um policial civil do Rio de Janeiro está sob apuração após ser flagrado em um voo particular fretado por R$ 128 mil, valor incompatível com sua renda declarada.

Laércio foi capturado nesta semana em uma cobertura de luxo em Maceió, onde policiais encontraram R$ 100 mil em espécie, além de diversos itens de alto valor. O suspeito, que possuía imóveis em endereços nobres em diferentes estados, responde agora por associação para o tráfico e lavagem de dinheiro. Mais detalhes sobre o caso podem ser acompanhados através da cobertura do Fantástico.

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