Estudos epidemiológicos globais, atualizados em março de 2026, reforçam o alerta sobre o avanço do glaucoma, a principal causa de cegueira irreversível no mundo. As projeções apontam que o número de pessoas vivendo com a doença deve ultrapassar a marca de 111 milhões de casos nas próximas duas décadas. O aumento é atribuído principalmente ao envelhecimento da população mundial e à falta de diagnóstico precoce em países de média e baixa renda.

Natureza da Doença e Fatores de Risco
O glaucoma caracteriza-se por uma lesão progressiva no nervo óptico, frequentemente associada ao aumento da pressão intraocular. Por ser uma patologia assintomática em suas fases iniciais — frequentemente chamada de “cegueira silenciosa” —, muitos pacientes só percebem a perda de visão quando o dano já é severo e permanente.
Os principais fatores que contribuem para as estatísticas elevadas incluem:
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Idade Avançada: O risco aumenta significativamente após os 60 anos.
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Hereditariedade: Pessoas com familiares de primeiro grau diagnosticados possuem maior probabilidade de desenvolver a condição.
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Comorbidades: Condições como diabetes e hipertensão arterial podem influenciar a pressão intraocular.
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Etnia: Populações de ascendência africana e asiática apresentam maior prevalência de subtipos específicos e agressivos da doença.
Desafios no Diagnóstico e Tratamento
Atualmente, estima-se que cerca de 50% das pessoas com glaucoma não sabem que possuem a doença. A perda de visão periférica ocorre de forma gradual, o que dificulta a percepção do paciente sem a realização de exames oftalmológicos específicos, como a tonometria (medição da pressão do olho) e o exame de fundo de olho.
Embora a visão perdida não possa ser recuperada, o tratamento atual é eficaz em interromper ou retardar a progressão da cegueira. As abordagens incluem o uso contínuo de colírios hipotensores, tratamentos a laser e, em casos mais complexos, intervenções cirúrgicas para melhorar a drenagem do humor aquoso (líquido interno do olho).
Iniciativas de Saúde Pública
Diante das projeções, órgãos internacionais de saúde defendem a implementação de triagens oftalmológicas de rotina como parte dos sistemas de atenção primária. No Brasil, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia reforça que a consulta anual com um médico oftalmologista é a única forma segura de detectar a doença precocemente e evitar a evolução para a deficiência visual total.