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STF Centraliza Custódia de Provas em Investigação sobre o Banco Master

STF Centraliza Custódia de Provas em Investigação sobre o Banco Master

Em uma decisão proferida nesta quarta-feira, 14 de janeiro de 2026, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ordenou que todos os itens recolhidos durante a segunda fase da “Operação Compliance Zero” sejam enviados e armazenados na sede da Corte, em Brasília. A medida determina que bens e documentos, incluindo dispositivos eletrônicos e materiais de luxo, devem ser mantidos sob lacre rigoroso. Segundo o gabinete do magistrado, a ação é estratégica para garantir que o acervo probatório permaneça intacto até que peritos oficiais realizem as análises técnicas necessárias, evitando qualquer risco de manipulação externa.

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante sessão da Primeira Turma da Corte • Carlos Moura/SCO/STF – 05.set.2023

A determinação de Toffoli ocorre em meio a críticas do ministro à condução dos trabalhos pela Polícia Federal (PF). O magistrado apontou uma suposta “falta de empenho” e atrasos no cumprimento dos mandados judiciais, o que, em sua visão, poderia dar margem para que os investigados descaracterizassem evidências fundamentais. Diante disso, o STF assumiu a responsabilidade direta pela guarda dos objetos, retirando-os da custódia policial imediata para assegurar o que chamou de “efetividade das investigações”.

A operação realizada hoje mirou um esquema suspeito de fraudes financeiras bilionárias, que teriam alcançado cifras próximas a R$ 12 bilhões. Entre os alvos estão o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o investidor Nelson Tanure. Durante as buscas em mais de 40 endereços espalhados por diversos estados, os agentes apreenderam carros importados, relógios de alto valor, armas e cerca de R$ 98 mil em espécie. Um dos alvos, cunhado do banqueiro Vorcaro, chegou a ser detido temporariamente em um aeroporto enquanto tentava embarcar para o exterior.

Especialistas em segurança digital e investigadores da PF expressaram preocupação com a nova logística imposta pelo ministro. O argumento técnico é de que a demora na extração de dados de celulares e computadores apreendidos pode dificultar o acesso às informações, devido a sistemas de criptografia e degradação natural de arquivos digitais. Contudo, a decisão de Toffoli permanece soberana, fundamentada na necessidade de supervisão judicial direta em casos que envolvem figuras com foro privilegiado ou grande influência econômica.

A defesa de Daniel Vorcaro manifestou-se por meio de nota, afirmando que o empresário está colaborando totalmente com a Justiça e que confia na transparência do processo. O caso Master segue sob sigilo de justiça no STF, mas a movimentação desta quarta-feira coloca o tribunal no centro operacional de uma das maiores investigações financeiras do país em 2026. A expectativa agora gira em torno das explicações que o diretor-geral da PF deverá apresentar ao ministro sobre o cronograma da operação.

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