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STF condena parlamentares do PL por venda de emendas em decisão unânime

STF condena parlamentares do PL por venda de emendas em decisão unânime

Em um julgamento histórico concluído nesta terça-feira (17/03), a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou, por unanimidade, dois deputados federais e um suplente do PL por corrupção passiva. O caso marca a primeira condenação na Corte envolvendo o desvio de emendas parlamentares desde que o tribunal estabeleceu regras rígidas de transparência para o setor.

Fachada iluminada do Supremo Tribunal Federal (STF), em Brasília • Fellipe Sampaio /STF

O veredito e as penas

O colegiado seguiu o voto do relator, ministro Cristiano Zanin, que considerou comprovado o esquema de cobrança de propina para a destinação de verbas públicas ao município de São José de Ribamar (MA). Segundo a denúncia da PGR, o grupo solicitou R$ 1,6 milhão em vantagens indevidas para liberar cerca de R$ 6,7 milhões em recursos.

As penas fixadas foram:

  • Josimar Maranhãozinho (PL-MA): 6 anos e 5 meses de reclusão em regime semiaberto.

  • Pastor Gil (PL-MA): 5 anos e 6 meses de reclusão em regime semiaberto.

  • João Bosco Costa (PL-SE): 5 anos de reclusão em regime semiaberto.

Além dos políticos, outros quatro réus  incluindo assessores e ex-prefeitos que atuavam como intermediários ou “cobradores”  também receberam penas de 5 anos de prisão.

“Mercadoria privada”

Durante a sessão, o ministro Alexandre de Moraes enfatizou que os réus tratavam o orçamento público como se fosse uma “mercadoria privada”. O ministro Flávio Dino, ao acompanhar o relator, destacou que o papel da Corte é punir a captura de instrumentos legítimos para fins ilícitos, embora o tribunal tenha decidido absolver os réus da acusação de organização criminosa por falta de provas de uma estrutura permanente.

Impactos Imediatos e Próximos Passos

Consequência Detalhes
Mandatos A Câmara dos Deputados será comunicada e deverá decidir sobre a perda de mandato dos parlamentares em exercício.
Inelegibilidade Os condenados ficam inelegíveis por 8 anos após o cumprimento das penas.
Multas As multas aplicadas chegam a 300 dias-multa para o principal articulador do esquema.

A decisão é vista como um divisor de águas na relação entre o Legislativo e o Orçamento da União. Ao validar o “carimbo” das emendas como prova de ato de ofício, o STF envia um sinal claro de que a rastreabilidade dos recursos agora é a principal arma contra o tráfico de influência no Congresso.

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