A técnica de enfermagem presa em flagrante ao tentar retirar um bebê recém-nascido de um hospital público na zona norte da cidade foi solta após audiência de custódia realizada neste fim de semana. A decisão judicial substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, permitindo que a profissional responda ao processo em liberdade. O caso, que chocou funcionários e pacientes da unidade de saúde, segue sob investigação da Polícia Civil, que busca esclarecer a motivação e se houve planejamento prévio para o crime de subtração de incapaz.
O incidente ocorreu quando agentes de segurança do hospital abordaram a técnica de enfermagem na saída do plantão. Durante a revista de rotina em seus pertences, o bebê foi encontrado escondido dentro de uma bolsa de grandes dimensões. A criança, que possui apenas poucos dias de vida, foi imediatamente resgatada e encaminhada de volta à maternidade, onde passou por exames clínicos que confirmaram seu bom estado de saúde. A mãe do recém-nascido, que ainda estava internada em recuperação pós-parto, foi comunicada da tentativa de sequestro pelos assistentes sociais da unidade.
Na decisão que concedeu a liberdade provisória, o magistrado considerou que a técnica de enfermagem possui residência fixa, é ré primária e não apresenta antecedentes criminais que justifiquem a manutenção da prisão fechada antes do julgamento. No entanto, foram impostas restrições severas: a profissional está proibida de frequentar qualquer unidade de saúde pública ou privada, deve manter distância mínima da família da vítima e teve seu registro profissional (COREN) suspenso temporariamente por ordem judicial. O descumprimento de qualquer uma dessas regras resultará no retorno imediato à unidade prisional.

A defesa da técnica de enfermagem alega que ela atravessa um quadro de grave instabilidade psíquica, possivelmente agravado por transtornos emocionais não tratados. Segundo os advogados, não houve intenção de dolo financeiro ou envolvimento com redes de tráfico de crianças, tratando-se de um “surto psicótico isolado”. Um exame de sanidade mental deve ser solicitado nos próximos dias para compor o inquérito policial. Por outro lado, a acusação sustenta que o ato foi premeditado, dada a forma como a criança foi ocultada para burlar a vigilância do hospital.
O Conselho Regional de Enfermagem (COREN) instaurou um processo ético-disciplinar paralelo à investigação criminal. Em nota, a autarquia repudiou o ocorrido e afirmou que condutas que ferem a segurança do paciente e a ética profissional são passíveis de cassação definitiva do registro. O hospital, por sua vez, anunciou uma revisão completa em seus protocolos de segurança, incluindo a instalação de novas câmeras de monitoramento e o reforço no controle de acesso de funcionários às áreas de alojamento conjunto e berçários.
O desfecho deste caso levanta um debate necessário sobre a saúde mental dos profissionais de linha de frente e o rigor dos sistemas de identificação neonatal em unidades públicas. Enquanto a técnica de enfermagem aguarda o julgamento em casa, a família do bebê recebe acompanhamento psicológico custeado pelo Estado. A Polícia Civil continua ouvindo depoimentos de colegas de trabalho para verificar se houve falhas de supervisão que permitiram que o recém-nascido fosse retirado do leito sem ser notado imediatamente pelos sistemas de controle interno.