No início da década de 1990, quando a rede mundial de computadores dava seus primeiros passos comerciais e a telefonia celular ainda era restrita a aparelhos pesados e caros, uma campanha publicitária ousou projetar a rotina moderna. Em 1993, a empresa de telecomunicações AT&T colocou no ar uma sequência de anúncios televisivos que descrevia, com espantosa exatidão, as facilidades que definem a sociedade conectada de hoje.
Dirigida pelo cineasta David Fincher e narrada pelo ator Tom Selleck, a série de comerciais intitulada “You Will” apresentava um formato simples: questionava o espectador se ele já havia realizado determinada tarefa futurista e concluía afirmando que, em breve, isso seria possível por meio da tecnologia da companhia norte-americana.
Tecnologia e visão de futuro nos comerciais da AT&T
Os filmes publicitários não se limitaram a previsões genéricas sobre a modernização industrial. A campanha focou diretamente nas transformações cotidianas das pessoas comuns, antecipando conceitos que levariam mais de uma década para se consolidar no mercado de consumo global.
Entre as inovações mostradas com precisão nas telas estavam:
- Pagamento automático em pedágios sem a necessidade de parar o veículo.
- Envio de mensagens eletrônicas e faxes a partir de dispositivos de bolso em praias ou parques.
- Mapas digitais interativos instalados no painel de automóveis para guiar rotas.
- Videoconferências em tempo real para fins profissionais e familiares.
- Leitura de livros digitais e consultas a enciclopédias completas à distância.
O salto entre a profecia publicitária e a infraestrutura real
Embora os conceitos retratados fossem revolucionários para 1993, a infraestrutura da época ainda engatinhava. Grande parte das redes de transmissão operava por cabos coaxiais e sinais analógicos, distantes das velocidades necessárias para sustentar o streaming ou a transferência de arquivos pesados em tempo real.
A visão apresentada dependia de saltos fundamentais na engenharia de telecomunicações, como a implantação da fibra óptica em larga escala, o avanço dos padrões de telefonia móvel e o desenvolvimento de processadores compactos capazes de alimentar os futuros smartphones e tablets.
Hoje, boa parte das profecias daquela série tornou-se parte invisível da rotina, conforme apontam registros históricos do The Verge sobre a evolução das telecomunicações. Serviços de localização, telemedicina, plataformas de educação remota e compras online instantâneas derivam diretamente das ideias que, há mais de três décadas, pareciam pertencer exclusivamente à ficção científica.