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Rim transplantado em 1969 atinge marca histórica de 111 anos de idade biológica

Rim transplantado em 1969 atinge marca histórica de 111 anos de idade biológica
1 de 2 Doutor Drauzio Varella e Maria Célia Lamounier, que recebeu rim da mãe em 1969 — Foto: Reprodução/TV Globo

Um procedimento cirúrgico realizado em 1969, em um período em que os transplantes de órgãos ainda representavam um desafio pioneiro no Brasil, alcançou um marco sem precedentes na medicina moderna. O rim, doado por Guiomar, então com 54 anos, para sua filha Maria Célia Lamounier, atingiu a impressionante marca de 111 anos de idade biológica, mantendo-se plenamente funcional no organismo da receptora.

A trajetória de um transplante pioneiro no Brasil

O cenário médico da década de 1960 era drasticamente diferente do atual. O primeiro transplante renal no país havia ocorrido apenas cinco anos antes, em 1964. Na época da cirurgia de Maria Célia, o Brasil realizava menos de 50 transplantes anuais, em um ambiente carente de tecnologias avançadas de diagnóstico por imagem, como ultrassom, tomografia ou ressonância magnética.

Maria Célia enfrentou um quadro de insuficiência renal na juventude, necessitando de sessões de hemodiálise antes do procedimento. A cirurgia, que durou cerca de cinco horas, foi realizada com recursos limitados para o controle de rejeição. Apesar das adversidades da época, a paciente relata uma trajetória de saúde estável, sem intercorrências graves ou internações prolongadas ao longo das últimas cinco décadas.

Longevidade excepcional e acompanhamento médico

O médico nefrologista José Medina Pestana destaca que a longevidade do órgão é uma condição rara. Estatisticamente, a maioria dos transplantes renais apresenta uma vida útil que varia entre 20 e 30 anos. O sucesso prolongado neste caso é atribuído, em parte, à compatibilidade biológica entre doadora e receptora, além de um estilo de vida rigoroso mantido por ambas.

A doadora, Guiomar, viveu até os 97 anos sem complicações relacionadas à ausência do órgão doado. Segundo especialistas, doadores vivos de rim devem manter cuidados constantes com a saúde, incluindo controle de peso, monitoramento da pressão arterial, prevenção de diabetes e a prática regular de atividades físicas, diretrizes que também se aplicam aos receptores para garantir a preservação do enxerto.

Evolução do sistema de transplantes no país

Atualmente, o Brasil consolidou-se como uma referência global na área, ocupando a segunda posição mundial em número de transplantes renais. O Sistema Único de Saúde (SUS) é o pilar dessa estrutura, custeando não apenas as cirurgias, mas também a distribuição vitalícia de medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição dos órgãos.

Embora o país registre um crescimento contínuo no número de procedimentos, ainda persistem disparidades regionais significativas. A maior concentração de transplantes ocorre nas regiões Sul e Sudeste, reflexo das condições socioeconômicas locais. Com cerca de 27 mil transplantes realizados anualmente no país, sendo 6 mil deles renais, a rede nacional coordenada pelo Sistema Nacional de Transplante continua a expandir o acesso a tratamentos que salvam vidas.

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