O presidente Donald Trump surpreendeu a comunidade internacional nesta sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026, ao evocar a possibilidade de uma “tomada amigável” (friendly takeover) de Cuba. Durante um evento na Flórida, reduto histórico da diáspora cubana, o mandatário afirmou que as negociações e o planejamento estratégico sobre o futuro da ilha estão sendo conduzidos em um “nível muito alto” por Marco Rubio, atual Secretário de Estado e figura central da política externa americana para a América Latina.

A retórica de Trump sugere uma mudança de paradigma: em vez de apenas focar em sanções e isolamento, o governo americano estaria explorando um modelo de transição que envolveria incentivos econômicos massivos e a reconstrução da infraestrutura cubana em troca de uma abertura democrática total. “Cuba está em uma situação terrível, e nós somos os únicos que podem salvá-los”, declarou o presidente, enfatizando que Rubio tem “carta branca” para desenhar um acordo que coloque fim ao regime atual de forma negociada.
Especialistas em geopolítica interpretam o termo “tomada amigável” como uma manobra de soft power agressivo. A ideia seria oferecer um “Plano Marshall” para a ilha, condicionado à saída da cúpula do Partido Comunista e à realização de eleições supervisionadas. A escolha de Marco Rubio para liderar o processo não é por acaso; filho de imigrantes cubanos, Rubio é um crítico feroz de Havana, mas possui os canais necessários para dialogar com setores dissidentes e, possivelmente, com elementos pragmáticos dentro das próprias forças armadas cubanas que buscam uma saída para a crise econômica crônica.
A reação em Havana foi de imediata rejeição. O governo de Miguel Díaz-Canel classificou as falas de Trump como “delírios imperiais” e uma violação flagrante da soberania nacional. No entanto, analistas observam que a pressão interna em Cuba, marcada por apagões constantes e escassez de alimentos, pode tornar a proposta atraente para uma população exausta. O governo americano aposta que a combinação de asfixia econômica e a promessa de prosperidade imediata sob influência dos EUA possa acelerar uma ruptura interna no regime.
Dentro dos Estados Unidos, a proposta divide opiniões no Congresso. Enquanto republicanos celebram o que chamam de “Doutrina Trump para a Liberdade”, democratas alertam para o risco de uma retórica que pode ser interpretada como uma ameaça de invasão disfarçada, o que poderia unir a região contra Washington. A Casa Branca, por sua vez, nega qualquer intenção de conflito armado, reiterando que o termo “amigável” foca em diplomacia econômica e na reintegração de Cuba ao sistema financeiro ocidental sob nova gestão política.
A movimentação de Trump ocorre em um momento em que a influência da China e da Rússia em Cuba tem oscilado devido a problemas logísticos próprios. Ao tentar ocupar esse vácuo, os EUA buscam não apenas resolver uma questão de segurança nacional a poucos quilômetros de sua costa, mas também consolidar uma vitória histórica na política externa que ressoe com o eleitorado latino para as eleições de meio de mandato que se aproximam. O desenrolar dessa estratégia dependerá agora da capacidade de Rubio em transformar a retórica presidencial em uma proposta diplomática viável.