Lenda das pistas participa do inédito World Athletics Ultimate Championship na Hungria e exalta seu legado no esporte ao se comparar a ícones como Muhammad Ali.
Aos 40 anos de idade e longe das competições oficiais desde 2017, Usain Bolt provou que seu carisma e impacto no esporte continuam intactos. Presente em Budapeste, na Hungria, como embaixador do inédito World Athletics Ultimate Championship, o ex-velocista jamaicano abriu o coração sobre a vida após as pistas e a sensação de estar de volta aos grandes palcos.
“Você sempre vai sentir falta disso”, admitiu Bolt ao comentar o ambiente dos estádios. “Quando você entra na pista e sente a energia… eu sinto falta. Como atleta, você sempre vai sentir saudade daquela energia, daquelas vibrações e da adrenalina pulsando. Mas este não é o meu momento. Eu apenas curto e assisto, porque sei que muitos deles estão nervosos. É emocionante estar aqui e ver os futuros campeões”.
A presença de Bolt na capital húngara atraiu longas filas de atletas, dirigentes e torcedores em busca de uma palavra ou de uma foto com o recordista mundial. Esse magnetismo é justamente o que a federação internacional tentava resgatar. Sebastian Coe, presidente da World Athletics, celebrou o retorno do jamaicano em uma função que realmente faz sentido para ele, longe da burocracia de comitês tradicionais: “Sentimos que Usain está de volta ao nosso esporte”.
Um novo formato e a “falta de rivais” à altura
Bolt distribuiu elogios ao formato do novo campeonato, que reúne os maiores nomes do esporte em três noites intensas de competição e distribui uma premiação histórica de 10 milhões de dólares (cerca de R$ 55 milhões). “A energia está maravilhosa. É um bom primeiro passo para mudar o atletismo para melhor”, destacou.
Ao ser questionado sobre o cenário atual das pistas — que hoje não conta com um velocista dominante como ele foi no passado —, o jamaicano não perdeu a chance de brincar.
“Isso só mostra o quão bom eu era!”, divertiu-se Bolt. “Mas a competição é sempre boa. Para mim era ótimo porque eu vencia, mas às vezes também é legal não saber quem vai ganhar ou quem vai se destacar no dia”.
O lugar entre os maiores da história
Mais do que as medalhas, Bolt revelou estar plenamente satisfeito com o tamanho do seu impacto cultural. Ao olhar para trás, ele confirmou que atingiu o patamar que sempre desejou, traçando um paralelo com uma das maiores lendas de todos os tempos.
“Meu objetivo sempre foi estar entre os grandes do esporte, como Muhammad Ali. Ao longo dos anos, desde que me aposentei, vejo que conquistei o que queria. Estou feliz por estar nessa conversa”, concluiu.