Circula nas redes sociais um vídeo que utiliza tecnologia de inteligência artificial para atribuir ao candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, declarações falsas sobre o corte de benefícios sociais. O material, que viralizou em plataformas como Instagram, TikTok e X, alega erroneamente que o político pretende extinguir o 13º salário e reduzir aposentadorias caso seja eleito.
A análise técnica realizada pelo projeto Fato ou Fake confirmou que o conteúdo é uma manipulação digital. O áudio foi sintetizado artificialmente e sincronizado com o movimento dos lábios do candidato, utilizando como base uma entrevista real concedida no dia 4 de outubro, na qual o político comentava os resultados do primeiro turno das eleições.
Identificação da manipulação por inteligência artificial
Para comprovar a fraude, o material foi submetido a ferramentas especializadas em detecção de conteúdos gerados por máquinas. Os resultados foram conclusivos quanto à natureza sintética do áudio que circula na internet.
- A plataforma Hive Moderation indicou 83,1% de probabilidade de manipulação por IA.
- O sistema Hiya/InVID apontou 99% de chances de o áudio ter sido gerado artificialmente.
Esses dados reforçam que a fala atribuída ao candidato não condiz com a realidade dos fatos. A gravação original mostra Flávio Bolsonaro agradecendo aos eleitores pelos votos recebidos e enfatizando o desejo de mudança, sem mencionar qualquer medida de corte em direitos trabalhistas ou previdenciários.
Posicionamento oficial e contexto eleitoral
A assessoria de imprensa do candidato classificou o vídeo como uma montagem evidente e uma prática criminosa de desinformação eleitoral. Em nota oficial, a equipe reafirmou que os direitos previstos na Constituição Federal, incluindo o 13º salário e as aposentadorias, são inquestionáveis e serão preservados.
O episódio ocorre em um cenário de acirramento da disputa eleitoral, com o segundo turno marcado para o dia 25 de outubro. A disseminação de conteúdos fabricados por IA tem se tornado um desafio constante para a integridade do debate público, exigindo que eleitores verifiquem a procedência de vídeos e áudios antes de compartilhá-los em redes sociais e aplicativos de mensagens.