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Zé Humberto quer transformar décadas de gestão e empreendedorismo em projeto para Brasília.

Do empacotador de supermercado à gestão pública, candidato constrói campanha em torno de obras, empreendedorismo, saúde e presença nas Regiões Administrativas

Há uma história que Zé Humberto costuma contar quando precisa explicar por que decidiu disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Não começa em um gabinete, em uma secretaria ou em uma eleição. Começa em 1969, quando chegou a Brasília aos 13 anos, vindo do interior do Tocantins com a família.

Eram 11 pessoas. O dinheiro era curto. A primeira moradia foi um barraco de madeira, com dois quartos, sala e cozinha. O banheiro ficava do lado de fora.

O primeiro emprego também não tinha relação com política. Foi como empacotador em um mercadinho de um tio, em Taguatinga. Segundo o próprio candidato, para economizar, ele chegou a dormir no estabelecimento. Depois vieram as funções de repositor, gerente e, mais tarde, a sociedade com os irmãos, que deu origem ao Planaltão Supermercados.

A história empresarial avançou. Zé Humberto passou a atuar na representação do setor supermercadista e presidiu a Associação de Supermercados de Brasília e, posteriormente, a Associação Brasileira de Supermercados. No material oficial da candidatura, essa trajetória é apresentada como uma das bases para a defesa do empreendedorismo, da geração de empregos e da redução da burocracia.

É dessa experiência que nasce uma das principais mensagens da campanha: a ideia de levar para o Congresso uma trajetória construída entre a iniciativa privada e a administração pública.

Zé Humberto afirma ter acumulado 22 anos de experiência no governo e diz conhecer de perto as diferentes regiões do Distrito Federal. No discurso de campanha, não se apresenta apenas como alguém que acompanhou obras, mas como alguém que esteve envolvido na tentativa de resolver os problemas que aparecem durante a execução.

É daí que surgiram os apelidos que ele próprio incorporou à campanha: Zé do Planaltão, Zé das Obras e, principalmente, Zé Resolve.

A frase virou uma espécie de resumo da candidatura. A proposta é associar o nome à capacidade de tirar projetos do papel.

Uma campanha construída sobre obras

O tema das obras ocupa espaço central na trajetória política apresentada por Zé Humberto.

Ele afirma que mais de 7.300 obras passaram por suas mãos ao longo da atuação pública. O número é uma declaração do próprio candidato e não aparece detalhado, obra por obra, no material oficial da campanha.

Mas a explicação que ele dá para o conceito de obra é mais ampla do que grandes viadutos, túneis ou rodovias.

Para Zé Humberto, uma obra não precisa ser monumental para produzir efeito político e social. Pode ser uma iluminação, uma calçada, uma intervenção de infraestrutura ou uma melhoria que mude a rotina de uma comunidade.


primeira foto do dia José Humberto, ex-secretário de Governo crédito INSTAGRAM

Essa visão aparece também no posicionamento oficial da candidatura, que coloca infraestrutura, mobilidade e presença nas Regiões Administrativas entre suas principais bandeiras.

Na entrevista, ele cita experiências em Vicente Pires, Sol Nascente, Estrutural e São Sebastião. Também fala sobre problemas enfrentados em obras como o viaduto do Noroeste, o CAIC do Gama e o Hospital de Brazlândia.

Sobre o Túnel de Taguatinga, uma das obras mais conhecidas de sua passagem pela gestão pública, atribui parte do atraso encontrado durante a execução a problemas de sondagem, depois da descoberta de pedra e água no percurso da escavação.

A lógica defendida por ele é simples: obra pública precisa chegar à vida cotidiana. E, para isso, planejamento e execução precisam andar juntos.

O foco nas chamadas “bordas de Brasília”

Se existe uma expressão que ganhou espaço no discurso de campanha, é “bordas de Brasília”.

Zé Humberto usa o termo para falar das áreas que continuam crescendo depois que uma obra ou urbanização é concluída. A cidade avança, novas casas aparecem e, segundo ele, a infraestrutura precisa acompanhar esse movimento.

É nesse ponto que entram as emendas parlamentares.

O candidato afirma que pretende direcionar recursos para infraestrutura, equipamentos públicos e serviços nas regiões que considera mais carentes de investimentos. A proposta oficial também fala em garantir recursos e emendas que possam ser convertidos em melhorias nas Regiões Administrativas, do Plano Piloto às áreas mais afastadas.

A ideia é fazer do mandato parlamentar uma extensão do trabalho que ele diz ter realizado no Executivo, mas com uma diferença importante: como deputado, não executaria diretamente as obras. O papel seria indicar recursos, acompanhar sua aplicação e fiscalizar a execução.

Esse ponto aparece com frequência em sua fala.

A promessa de presença física também faz parte da estratégia. Em vez de limitar o mandato ao gabinete em Brasília ou à rotina do Congresso, Zé Humberto afirma que pretende continuar circulando pelas cidades e acompanhar de perto onde os recursos estão sendo aplicados.

Saúde entra no centro da campanha

Se a infraestrutura é o tema mais associado à trajetória pública de Zé Humberto, a saúde aparece como uma das áreas que ele pretende incorporar ao projeto parlamentar.

O candidato reconhece que o Distrito Federal enfrenta um problema de fluxo dentro da rede pública. Na visão apresentada por ele, não basta aumentar a estrutura hospitalar. É preciso organizar melhor a passagem do paciente pela atenção básica, UBSs, UPAs e hospitais especializados.

Uma das ideias defendidas é a criação de hospitais de transição.

O conceito apresentado é direcionar para essas unidades pacientes que já passaram pela fase mais crítica do atendimento, mas ainda precisam concluir algum tratamento antes de retornar para casa. A intenção, segundo ele, seria liberar leitos hospitalares e evitar que pacientes permaneçam ocupando estruturas de maior complexidade quando já não necessitam daquele nível de atendimento.

Outro ponto destacado é a dificuldade de manter médicos na rede pública. Zé Humberto defende mudanças capazes de aumentar a permanência desses profissionais no sistema.

A campanha também coloca saúde e educação entre suas bandeiras e afirma que o objetivo é fazer com que os recursos públicos cheguem efetivamente à ponta.

Pais atípicos, idosos e tratamento contra o câncer

Dentro da pauta de saúde, o candidato escolheu três grupos para destacar.

O primeiro são mães e pais de crianças atípicas.

Zé Humberto relata que passou a ouvir com frequência as dificuldades dessas famílias durante suas andanças pelo Distrito Federal e afirma que pretende transformar o tema em uma pauta permanente de seu mandato.

O segundo grupo são os idosos.

A justificativa apresentada é direta: a população está envelhecendo e o sistema de saúde precisa se preparar para uma demanda diferente.

O terceiro é o atendimento oncológico.

Zé Humberto defende a criação de uma estrutura de tratamento contra o câncer no Distrito Federal e cita como referência o modelo do Hospital de Amor, em Barretos.

São propostas que ainda dependem de desenho legislativo, articulação institucional e recursos para sair do discurso eleitoral e chegar à execução. Na campanha, porém, elas aparecem como parte de uma agenda mais ampla de saúde voltada para públicos específicos.

O empreendedorismo como resposta ao desemprego

A própria trajetória profissional serve de argumento para outra bandeira central.

Zé Humberto costuma voltar ao primeiro emprego como empacotador para explicar sua visão sobre trabalho.

Na campanha, empreendedorismo e geração de empregos aparecem lado a lado com infraestrutura. O discurso é de simplificação de processos, redução de burocracia e estímulo a quem produz e contrata.

Uma das propostas mencionadas na entrevista envolve uma diferença de ICMS incidente sobre combustíveis para empresas de transporte. A ideia defendida é criar condições para que parte dessa diferença seja revertida em investimentos privados em tecnologia, serviços e infraestrutura.

O raciocínio é colocar menos obstáculos no caminho de quem pretende investir.

Para o candidato, a política pública precisa criar condições para que a pessoa consiga trabalhar e gerar renda.

A política habitacional vista por quem chegou a Brasília sem nada

É na habitação que a biografia pessoal volta a ocupar o centro do discurso.

Ao falar sobre política habitacional, Zé Humberto não começa com números. Volta à casa de madeira onde morou com os pais e oito irmãos.

A família chegou a Brasília em 1969. Mais tarde, conseguiu adquirir um lote por meio de uma cooperativa e construir a própria casa.

É dessa experiência que vem a defesa de uma política habitacional capaz de acompanhar o crescimento das cidades.

Na avaliação apresentada pelo candidato, quando o Estado não consegue oferecer alternativas para famílias de baixa renda, a ocupação irregular acaba aparecendo como consequência.

A proposta, portanto, é ampliar o acesso à habitação e acompanhar o crescimento urbano antes que novas áreas se transformem em problemas de infraestrutura.

Um mandato que não fique escondido

A preocupação com a visibilidade do deputado federal também aparece no discurso de Zé Humberto.

Ele critica a distância que muitas vezes se cria entre o parlamentar e as cidades depois da eleição.

Sua estratégia anunciada é usar as emendas parlamentares como instrumento de presença, mas também acompanhar a aplicação dos recursos.

No material oficial da campanha, essa ideia aparece associada à promessa de estar presente em todas as Regiões Administrativas.

A campanha chama esse projeto de “Em todos os cantos”.

O conceito combina com a própria narrativa construída por Zé Humberto ao longo da entrevista: a de alguém que pretende transformar experiência administrativa em atuação parlamentar e manter contato direto com as comunidades.

Comissionados, servidores e o funcionamento do Estado

Outro tema abordado foi a estrutura da administração pública.

Zé Humberto não defende simplesmente o fim dos cargos comissionados. A posição apresentada é pela separação entre funções políticas e funções técnicas.

Na visão do candidato, áreas permanentes e estratégicas, como gestão financeira, pessoas e planejamento urbano, deveriam ser ocupadas por servidores efetivos. Já os cargos de assessoramento poderiam continuar sendo preenchidos por pessoas escolhidas politicamente.

O argumento é que a máquina pública precisa preservar conhecimento técnico e continuidade, sem abrir mão da estrutura de confiança necessária ao funcionamento do governo.

É uma discussão que costuma aparecer de forma simplificada no debate político, mas que, para o candidato, envolve principalmente a forma como o Estado organiza suas equipes.

Centrad e uma decisão que ainda divide opiniões

A ocupação do Centrad também entrou na conversa.

Zé Humberto participou das discussões sobre o complexo durante sua passagem pelo governo e afirma que a estrutura exigiria investimentos elevados para funcionar integralmente.

Na proposta que defende hoje, a ocupação não precisaria acontecer de uma só vez.

A ideia seria levar gradualmente alguns órgãos, serviços e estruturas para o espaço, criando fluxo de pessoas e permitindo que a região se consolide como polo administrativo.

O argumento é que Brasília mudou desde o período em que o projeto foi concebido. A expansão urbana criou novos eixos de crescimento e alterou a lógica de deslocamento da população.

Da gestão ao Congresso

A candidatura de Zé Humberto é construída, portanto, sobre uma transição.

De um lado, existe a história empresarial. Um garoto que chegou a Brasília aos 13 anos, começou como empacotador, cresceu dentro do comércio e chegou à direção de uma empresa e à representação do setor supermercadista.

Do outro, está a experiência na administração pública, especialmente na área de infraestrutura e execução de projetos.

O desafio agora é transformar essa experiência em uma atuação parlamentar.

É uma mudança importante.

No Executivo, o gestor participa diretamente da execução. Na Câmara dos Deputados, o parlamentar precisa trabalhar com legislação, orçamento, fiscalização, articulação política e destinação de emendas.

É justamente nessa diferença que Zé Humberto concentra boa parte do discurso.

Ele afirma que não pretende abandonar o perfil de gestor, mas levar para o Congresso a experiência acumulada nos dois mundos.

O candidato está registrado para disputar uma vaga de deputado federal pelo MDB no Distrito Federal, com o número 1555. A candidatura consta como deferida e concorrendo nos dados eleitorais consultados.

A campanha oficial resume o projeto em quatro grandes compromissos: desenvolvimento e infraestrutura, empreendedorismo e emprego, eficiência nos serviços públicos e família e respeito.

No fim, a narrativa eleitoral de Zé Humberto volta ao ponto de onde começou.

Brasília.

A cidade que recebeu um menino de 13 anos em 1969 e onde ele construiu a vida profissional, empresarial e política.

Agora, aos 69 anos, ele tenta transformar essa trajetória em um mandato federal.

A proposta que apresenta ao eleitor é levar para a Câmara dos Deputados o mesmo método que diz ter usado ao longo da vida: conhecer o problema, encontrar o caminho e acompanhar até a solução.

É essa imagem, a do gestor que quer continuar presente depois da eleição, que sustenta o projeto de Zé Humberto para 2026.

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