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A Casa do Dragão: 3ª Temporada –  Começa com fogo, termina com sangue, mas o meio pede paciência.

A Casa do Dragão: 3ª Temporada –  Começa com fogo, termina com sangue, mas o meio pede paciência.

10 de agosto de 2026

A terceira temporada de A Casa do Dragão comete o mesmo pecado estrutural que já corroeu as últimas temporadas de Game of Thrones: abre e fecha com espetáculo, mas deixa o miolo completamente arrastado.

O início entrega exatamente o que o público esperava há dois anos, a Batalha da Goela explode em escala, fogo de dragão e violência sem concessões, é cinema de televisão no melhor sentido: grandioso, visceral e visualmente impressionante.

O final, por sua vez, tenta recuperar a urgência com confrontos, traições e momentos de impacto, entre esses dois polos, no entanto, a série se perde em longos trechos de conversas repetitivas, manobras políticas previsíveis e personagens que andam em círculos sem avançar de fato a narrativa.

O problema não é a ausência de ação, é a sensação de que a trama está sendo deliberadamente alongada, episódios intermediários se dedicam a reuniões, olhares carregados de significado e diálogos que reiteram conflitos já estabelecidos, o ritmo cai de forma gritante, o que deveria ser a intensificação da Dança dos Dragões vira, por longos trechos, uma sucessão de cenas de preparação que raramente se resolvem de maneira satisfatória e o resultado é familiar: o espectador fica preso a uma estrutura que alterna picos de adrenalina com longos períodos de espera.

A comparação com Game of Thrones é inevitável e pouco lisonjeira, seu precursor (mesmo se passando no futuro) também soube construir momentos memoráveis de abertura e desfecho, mas pagou o preço de um meio frequentemente inchado e redundante.

A Casa do Dragão parece ter absorvido justamente essa falha estrutural, e não as virtudes, a escala visual e o orçamento estão lá, a  direção de arte e os efeitos especiais continuam impecáveis, o elenco, liderado por Emma D’Arcy, Matt Smith entrega o que pode, nada disso, porém, resolve o problema central de ritmo e construção dramática.

No fim, a terceira temporada confirma uma fórmula já conhecida: começa com fogo, termina com sangue e, no meio, pede paciência demais, o resultado é uma temporada desigual, que alterna momentos de verdadeira potência com longos trechos de inércia.

Quem espera a intensidade prometida pelo conflito Targaryen vai encontrá-la mas terá de atravessar um deserto narrativo para chegar lá.

Nota 3/5

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