COPENHAGUE – Em um movimento que promete redesenhar a geopolítica do futebol mundial, o presidente da European Football Clubs (EFC), Nasser Al-Khelaïfi, anunciou nesta terça-feira (29) o plano de criar a World Football Clubs (WFC) “o mais rápido possível”. A declaração, feita durante a abertura da 33ª Assembleia Geral da entidade em Copenhague, é vista por delegados e analistas como o nascimento de uma “sexta confederação” não oficial, projetada para desafiar o monopólio de poder da FIFA e de seu presidente, Gianni Infantino.
O Plano: Uma Rede Global de Clubes
Em seu discurso oficial, Al-Khelaïfi justificou a expansão afirmando que a EFC transcendeu as fronteiras europeias, transformando-se em uma plataforma de conexão global. O dirigente enfatizou a necessidade de modernizar as estruturas para acompanhar as novas gerações de torcedores, que transitam sem distinção entre os mundos físico e digital.
“Criamos benefícios para clubes dentro e fora da Europa. É por isso que agora é o momento de criar a World Football Clubs. O futebol está mudando todos os dias. A relação entre esporte, entretenimento, mídia e tecnologia está evoluindo rápido — e a EFC continuará ajudando os membros a se adaptarem”, declarou o mandatário.
Aliança com a UEFA e Recado à FIFA
Embora não tenha citado nominalmente Gianni Infantino, o tom político do discurso de Al-Khelaïfi foi agressivo em relação à atual gestão da FIFA. O catari lamentou que o futebol global esteja “perdendo tempo lidando com problemas e picuinhas” em vez de focar na transparência e no crescimento sustentável do esporte.
Para demonstrar a força de sua base de apoio, Al-Khelaïfi usou dados estatísticos, lembrando que quase 70% dos atletas da última Copa do Mundo pertenciam a clubes associados à EFC.
Em contrapartida ao distanciamento da FIFA, o presidente da EFC fez questão de selar publicamente sua aliança com a UEFA. Al-Khelaïfi rasgou elogios a Aleksander Čeferin, classificando-o como um parceiro de total confiança, e declarou apoio irrestrito à sua reeleição ao comando do futebol europeu.
Próximos Passos e Impacto no Brasil
A criação da WFC deve impactar diretamente os grandes clubes da América do Sul, incluindo os brasileiros. Ao se posicionar como uma voz global para os clubes, a nova associação de Al-Khelaïfi tentará atrair gigantes de fora da Europa — que historicamente se queixam do calendário imposto pelas seleções nacionais e das baixas premiações em torneios da FIFA — oferecendo “mais benefícios, ideias e inovações”.
A FIFA ainda não se manifestou oficialmente sobre as declarações do líder da EFC. O embate direto pelo controle do calendário internacional, dos direitos de transmissão e do formato de futuros torneios mundiais de clubes ganhou, formalmente, um novo e explosivo capítulo.