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Civis se alistam em massa na Venezuela após ameaça dos EUA.

Civis se alistam em massa na Venezuela após ameaça dos EUA.

27 de agosto de 2025

O governo de Nicolás Maduro iniciou um novo processo de alistamento militar civil em massa, convocando donas de casa, aposentados e funcionários públicos a se registrarem na Milícia Nacional Bolivariana. A medida é apresentada como resposta à presença de navios de guerra dos Estados Unidos no Caribe, apontada por Caracas como uma ameaça direta à soberania do país.

Segundo Maduro, o primeiro fim de semana de inscrições foi um “sucesso absoluto”, com milhares de cidadãos se apresentando em praças públicas e quartéis. O discurso oficial reforça a ideia de que “a defesa da pátria é responsabilidade de todos”, ampliando o conceito de forças armadas para além dos militares de carreira.

O movimento não é isolado: faz parte da estratégia de fortalecer a chamada “união cívico-militar”, um modelo em que a população é incorporada às estruturas de defesa do Estado. Para o governo, transformar civis em milicianos garante respaldo popular diante do que chama de “avanço insolente” dos EUA.

Críticos, no entanto, acusam a iniciativa de militarizar ainda mais a sociedade venezuelana e de usar o discurso patriótico como cortina de fumaça para a crise econômica e o isolamento internacional do regime. A oposição pediu boicote ao alistamento, afirmando que Maduro busca apenas criar uma tropa paralela de apoio político.

A Venezuela já conta com um dos maiores efetivos militares da América do Sul, atrás apenas de Brasil e Colômbia. Com a mobilização civil, o governo espera multiplicar o contingente, transformando trabalhadores, donas de casa e aposentados em soldados improvisados, prontos para reforçar a narrativa de resistência nacional.

Em meio à escassez de alimentos, apagões e hiperinflação, a convocação evidencia a tentativa de Maduro de manter o controle interno por meio de símbolos de luta externa. A mensagem é clara: diante da crise, o governo aposta no velho inimigo externo para manter a coesão interna.

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