O avanço e a popularização das plataformas de apostas esportivas e jogos virtuais (bets) ultrapassaram o âmbito do entretenimento pessoal e começaram a gerar impactos diretos no ambiente corporativo brasileiro. Gestores, departamentos de Recursos Humanos (RH) e especialistas em medicina do trabalho relatam um aumento na perda de foco, queda no rendimento profissional e aumento de estresse entre colaboradores que apostam durante o horário de expediente.
O fenômeno atinge diferentes setores da economia e levanta debates sobre governança corporativa, saúde mental no trabalho e o uso de redes e dispositivos da empresa para fins de apostas.
Como o vício em apostas se reflete na rotina de trabalho
Os impactos do uso compulsivo de plataformas digitais de apostas manifestam-se de forma gradual na rotina profissional:
Perda de Foco e Dispersão: A necessidade de acompanhar resultados de jogos em tempo real ou fazer apostas rápidas durante o dia gera interrupções frequentes nas tarefas diárias.
Queda de Produtividade e Prazos Perdidos: Funcionários afetados pela ansiedade e por oscilações financeiras causadas por perdas recorrentes apresentam maior dificuldade de concentração e atrasos em entregas.
Uso de Equipamentos da Empresa: Cresce o acesso a sites e aplicativos de apostas utilizando a rede de Wi-Fi corporativa ou computadores e celulares fornecidos pelo empregador.
Pedidos de Adiantamento e Estresse Financeiro: Setores de RH reportam um aumento na procura por adiantamentos salariais, empréstimos consignados e relatos de sobre-endividamento entre colaboradores.
A Resposta das Empresas e Medidas Preventivas
Para conter os impactos negativos e apoiar funcionários em situação de vulnerabilidade, as organizações vêm adotando estratégias combinadas de segurança da informação e apoio à saúde mental
A Importância da Prevenção e do Acolhimento
Especialistas em psicologia organizacional e direito do trabalho ressaltam que, além das medidas restritivas de TI, o caminho mais eficaz para lidar com o problema envolve a conscientização. O vício em jogos é reconhecido como uma condição de saúde pela Organização Mundial da Saúde (OMS), e criar um ambiente em que o funcionário possa buscar ajuda sem medo de estigmatização imediata é fundamental para o sucesso do tratamento e a recuperação do ambiente de trabalho.