O cerco se fecha sobre a cúpula do Banco de Brasília (BRB) e do Banco Master. Novas provas obtidas pela Polícia Federal, após a perícia em dispositivos apreendidos, revelam um diálogo tenso entre o ex-presidente do BRB (preso na última semana) e interlocutores do Banco Master. Nas mensagens, o ex-gestor reclama explicitamente da qualidade técnica de mais de 3 mil documentos referentes a carteiras de crédito que o BRB estava adquirindo.
A troca de mensagens, datada de meados de 2024, expõe o nervosismo da diretoria do banco público com a “montagem” acelerada de processos para justificar aportes bilionários em ativos sem liquidez.
O Conteúdo das Mensagens: “Feito às Pressas”
Nos diálogos interceptados, o então presidente do BRB demonstra preocupação com a fragilidade da documentação que daria lastro às operações. Os principais pontos revelados são:
• Critérios de Fachada: O ex-presidente afirma que os documentos estavam “mal feitos” e que a falta de rigor técnico poderia atrair a atenção de órgãos de controle (Banco Central e CVM).
• O Volume de “Lixo”: A menção a “3 mil documentos” refere-se ao conjunto de contratos de Direitos Creditórios que compunham as chamadas carteiras podres l créditos de difícil recuperação ou sem garantias reais que o Master “desovou” no balanço do BRB.
• Pressão por Rapidez: As mensagens sugerem que havia uma ordem para que a operação fosse liquidada em tempo recorde, ignorando as etapas de compliance e análise de risco da instituição pública.

Por que essa prova é crucial?
Até então, a defesa dos envolvidos sustentava que as perdas financeiras do BRB eram fruto de “oscilações de mercado” ou “decisões de investimento equivocadas, mas técnicas”. As novas mensagens mudam o patamar da investigação:
1. Dolo Configurado: A reclamação prova que o gestor sabia que a documentação era precária e que os ativos eram de baixa qualidade antes de autorizar o pagamento.
2. Conluio: Demonstra uma relação de subordinação ou parceria ilícita, onde o banco público aceitava condições impostas pelo ente privado (Master) para viabilizar o fluxo de dinheiro.
3. Gestão Fraudulenta: O termo “carteiras podres” utilizado nas mensagens reforça a tese de que o banco foi utilizado deliberadamente como uma “lixeira” financeira para limpar o balanço do grupo privado.
Repercussão em Brasília
A revelação dos diálogos caiu como uma bomba na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF). Parlamentares que ainda resistiam à abertura de uma CPI agora admitem que o depoimento do ex-presidente é inevitável.
• Oposição: “Não foi erro, foi método. O presidente do banco era o auditor do próprio crime ao reclamar que a fraude estava sendo mal feita”, declarou um deputado distrital.
• Governo do DF: Mantém o discurso de que aguarda a conclusão das investigações, mas o clima nos bastidores é de “salve-se quem puder”, com o temor de que as mensagens alcancem instâncias superiores do governo local.
A Polícia Federal agora trabalha para identificar quem foram os técnicos responsáveis pela elaboração dos “3 mil documentos” feitos às pressas, suspeitando que escritórios de advocacia e consultorias ligadas ao esquema tenham recebido valores vultosos para “fabricar” o lastro das operações.