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Braga Netto é convocado como testemunha em investigação sobre desvio de armas do Exército

Braga Netto é convocado como testemunha em investigação sobre desvio de armas do Exército

9 de agosto de 2026

General deverá prestar depoimento em processo que apura retirada irregular de armamentos e suposta falsificação de registros internos da Força entre 2016 e 2018

O general Walter Braga Netto foi chamado para prestar depoimento como testemunha em um processo que investiga um suposto esquema de desvio de armas do Exército no Rio de Janeiro. A participação do militar foi solicitada pela defesa de um tenente coronel acusado de se apropriar de armamentos e inserir informações falsas nos sistemas da instituição.

Braga Netto, ex ministro da Defesa e da Casa Civil e ex candidato a vice presidente na chapa de Jair Bolsonaro, cumpre atualmente pena definitiva de 26 anos de prisão no Rio de Janeiro após condenação pela tentativa de golpe de Estado.

O depoimento está previsto para 10 de novembro e deverá ser realizado por videoconferência. A oitiva, no entanto, ainda depende de autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela execução da pena do general.

Oficial é acusado de desviar armamentos

No centro da investigação está o tenente coronel Alexandre de Almeida, que comandava o setor responsável pela fiscalização de armas e produtos controlados da 1ª Região Militar, responsável pelos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

De acordo com a acusação apresentada pelo Ministério Público Militar, o oficial teria se apropriado de armas entregues ao Exército para destruição ou para que retornassem à cadeia de suprimentos da própria Força.

Parte dos armamentos teria pertencido anteriormente a militares da reserva ou já falecidos.

A investigação aponta ainda que informações falsas teriam sido inseridas no sistema interno do Exército para ocultar a verdadeira procedência das armas. Os armamentos teriam sido registrados em nome do próprio oficial ou de terceiros antes de serem repassados para outras pessoas.

Defesa cita ordens superiores

Os fatos investigados teriam ocorrido entre 2016 e 2018. Nesse período, Braga Netto exercia o comando da 1ª Região Militar.

A defesa de Alexandre de Almeida indicou o general como testemunha ao argumentar que o tenente coronel atuava seguindo determinações provenientes dos escalões superiores e ordens de seus superiores hierárquicos.

O argumento é utilizado para contestar a acusação de participação do oficial nas irregularidades investigadas. O depoimento de Braga Netto poderá, portanto, esclarecer como funcionavam as determinações administrativas e a cadeia de comando da unidade durante aquele período.

Armas teriam sido utilizadas para pagar reforma

Outro ponto da denúncia envolve uma reforma realizada na residência do tenente coronel. Segundo a investigação, parte das armas desviadas teria sido utilizada como forma de pagamento por serviços de marcenaria avaliados em aproximadamente R$ 21,5 mil.

O profissional responsável pelo serviço relatou que o oficial teria informado não possuir dinheiro para efetuar o pagamento e oferecido armas como compensação. Os armamentos teriam sido entregues acompanhados de registros e documentos emitidos em nome do próprio marceneiro.

Outras pessoas também teriam recebido armas provenientes do suposto esquema e passaram a responder por acusações relacionadas a receptação, posse ilegal de arma de fogo e utilização de documentos falsos.

A eventual participação de Braga Netto no processo será exclusivamente na condição de testemunha indicada pela defesa. A realização do depoimento dependerá agora da autorização do Supremo Tribunal Federal.

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