Um exame detalhado em fios de cabelo de 2.800 anos encontrados na região da Sibéria detectou vestígios de cannabis psicoativa entre povos nômades antigos, conforme noticiado pelo The New York Times. A descoberta científica joga nova luz sobre os hábitos ancestrais de civilizações que habitavam as estepes euroasiáticas e amplia o horizonte temporal do consumo humano da planta para fins recreativos ou ritualísticos.
A análise arqueológica que confirmou os dados foi divulgada na revista Science e aponta que substâncias psicoativas já eram consumidas por populações antigas séculos antes do que se estimava anteriormente. Os pesquisadores responsáveis pelo estudo detalharam como a metodologia laboratorial conseguiu isolar marcadores químicos nos fios preservados pelo tempo.
Descoberta em sítio arqueológico na Sibéria
Os fios de cabelo humano foram recuperados por arqueólogos no sítio funerário Tunnug 1, situado no vale de Uyuk, localizado no sul siberiano. Os testes laboratoriais para detecção de drogas apresentaram resultados positivos específicos para cannabis, consolidando o material como a evidência física mais antiga conhecida da utilização da planta com propriedades psicoativas na história humana.
As escavações que permitiram o achado histórico foram realizadas ao longo de vários anos, iniciadas em 2017 e estendidas pelo período seguinte. Durante os trabalhos de campo, as equipes de pesquisa também localizaram centenas de sementes da planta espalhadas pelo complexo funerário, o que motivou a realização de exames toxicológicos nos restos biológicos humanos coletados na mesma área.
Túmulos antigos e a cultura dos povos citas
O complexo de Tunnug 1 é considerado um dos maiores e mais antigos monumentos funerários associados aos citas, grupo que dominava a equitação e o pastoreio na antiguidade. Além dos vestígios botânicos e do material capilar analisado, o local guardava diversos artefatos de valor histórico e cultural, incluindo joias moldadas em ouro, estátuas esculpidas em formatos de animais, armas cortantes e restos mortais humanos.
Os citas formavam uma sociedade nômade que percorria a cavalo as vastas extensões das estepes da Eurásia durante a antiguidade, especificamente entre os séculos nono e terceiro antes de Cristo. Historicamente documentados como guerreiros hábeis, cavaleiros velozes, mestres na metalurgia e praticantes da arte da tatuagem, esses povos deixam agora um novo legado através da arqueologia moderna e da ciência forense.