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Calor extremo ameaça gestações e expõe lacunas em políticas de adaptação climática

Calor extremo ameaça gestações e expõe lacunas em políticas de adaptação climática

O aumento das temperaturas globais impõe um desafio crítico à saúde pública, colocando gestantes e recém-nascidos em uma zona de vulnerabilidade negligenciada. Uma pesquisa internacional, encomendada pela fundação britânica Wellcome, revela que o calor extremo está diretamente associado a riscos elevados de parto prematuro e complicações neonatais, embora esse grupo populacional permaneça ausente dos principais projetos de adaptação climática ao redor do mundo.

Preocupação crescente entre profissionais de saúde

No Brasil, o cenário é de alerta entre aqueles que atuam na linha de frente do atendimento materno-infantil. Segundo o levantamento realizado pelo instituto Censuswide, 89% dos profissionais de saúde brasileiros demonstram preocupação com o impacto das altas temperaturas sobre os recém-nascidos. Além disso, 77% dos entrevistados projetam que os riscos para mães e bebês devem se intensificar nos próximos cinco anos.

A percepção de agravamento é corroborada por dados globais. Entre os mil profissionais ouvidos em cinco países, 73% relataram um aumento de complicações ligadas ao calor em gestantes na última meia década, enquanto 76% observaram uma alta em problemas que afetam o desenvolvimento fetal ou a saúde dos recém-nascidos.

A ausência de gestantes em planos de adaptação

Apesar da evidência científica acumulada, gestantes e bebês ainda não são priorizados nos planos de adaptação climática. No Brasil, 79% dos profissionais ouvidos defendem que a proteção a esse segmento deveria ser uma prioridade maior para os formuladores de políticas públicas. A demanda por mais recursos e treinamento é um consenso global, com 92% dos especialistas clamando por suporte técnico para enfrentar a crise climática.

A fundação Wellcome tem financiado esforços para preencher essa lacuna de conhecimento, apoiando estudos do Cidacs (Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde), da Fiocruz Bahia. O centro utiliza uma base de dados robusta, que vincula informações do Cadastro Único a registros de saúde e indicadores climáticos, permitindo uma análise detalhada sobre como o clima afeta diferentes estratos sociais.

Evidências científicas e desigualdade social

O trabalho de pesquisa liderado pelo epidemiologista Maurício Barreto busca compreender não apenas o efeito geral do clima, mas como as desigualdades brasileiras potencializam os danos. A literatura internacional já estabelece uma relação consistente entre a exposição ao calor extremo e o baixo peso ao nascer, além da prematuridade, que é o desfecho mais estudado no campo.

Pesquisadores como Enny Cruz, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, destacam que o foco atual é identificar os períodos críticos da gestação em que a exposição ao calor é mais prejudicial. Com o suporte de evidências sólidas, o objetivo é subsidiar intervenções que protejam as populações mais expostas a temperaturas elevadas. Para mais informações sobre o impacto das mudanças climáticas na saúde, consulte o portal da Fiocruz.

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