O desenvolvimento econômico do Maranhão ocupou o centro das discussões durante o debate realizado pela TV Mirante, que reuniu seis postulantes ao governo do estado. Em um encontro marcado por mais de duas horas e meia de duração, os candidatos expuseram visões distintas sobre como impulsionar a economia local, equilibrar as contas públicas e fomentar a geração de emprego e renda para a população maranhense.
O evento, que serviu como um importante termômetro para o eleitorado, também foi palco de trocas de acusações sobre trajetórias políticas e investigações policiais. Apesar do clima de confronto, o eixo central das propostas girou em torno de estratégias para superar gargalos históricos, com foco em industrialização, infraestrutura e fortalecimento da agricultura familiar. A íntegra do debate está disponível para consulta pública no portal g1.globo.com.
Estratégias de gestão e ajuste fiscal
A busca por eficiência administrativa foi a tônica das propostas de André Luís (Missão), que defendeu um rigoroso ajuste nas contas públicas como pré-requisito para o crescimento. O candidato propôs a redução de 25% dos cargos comissionados e a reestruturação do primeiro escalão, incluindo a extinção da Secretaria de Articulação Política. Segundo ele, o corte de despesas administrativas é o caminho para viabilizar investimentos estratégicos e atrair empresas para o estado.
Já Eduardo Braide (PSD) focou na aplicação de um modelo de gestão técnica, utilizando sua experiência como prefeito de São Luís como referência. O candidato defendeu a nomeação de secretários baseada em critérios de competência, afastando indicações políticas. Braide argumentou que o investimento em infraestrutura, exemplificado por obras de pavimentação e construção de equipamentos de saúde, é o motor necessário para estimular a economia e elevar a qualidade dos serviços públicos.
Industrialização e valorização da produção local
O debate sobre a transformação da economia maranhense passou pela necessidade de agregar valor aos produtos estaduais. Orleans Brandão (MDB) e Roberto Rocha (PRTB) convergiram na importância de potencializar a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Bacabeira. Ambos criticaram a dependência excessiva da exportação de matérias-primas e defenderam a instalação de agroindústrias para que o Maranhão exporte produtos finais, gerando maior retorno financeiro e mais postos de trabalho.
Rocha destacou especificamente o desafio de transformar a produção vegetal em proteína animal, utilizando a logística privilegiada do Porto do Itaqui como diferencial competitivo. Brandão, por sua vez, complementou a visão ao citar a importância da regularização fundiária e da melhoria das estradas para garantir o escoamento eficiente da produção, integrando o agronegócio à nova estrutura industrial que pretende fomentar.
Agricultura familiar e distribuição de riqueza
A pauta social e a descentralização do desenvolvimento foram defendidas por Felipe Camarão (PT) e Saulo Arcangeli (PSTU). Camarão enfatizou que o crescimento econômico deve ser regionalizado, respeitando as vocações de cada território e priorizando a qualificação profissional de mulheres e jovens. O candidato defendeu o fortalecimento da agricultura familiar como um pilar fundamental para a distribuição de renda e o combate às desigualdades regionais.
Saulo Arcangeli reforçou a necessidade de uma reforma agrária e de assistência técnica robusta para os pequenos produtores. Sua proposta inclui o aproveitamento de produtos tradicionais, como babaçu, buriti e juçara, para a criação de cadeias produtivas locais. Para o candidato, o desenvolvimento deve ser sustentado pela valorização do trabalho no campo e pelo apoio direto a quem produz a base da economia maranhense.