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Celina Leão consolida favoritismo na reta final da disputa pelo Buriti.

Celina Leão consolida favoritismo na reta final da disputa pelo Buriti

A disputa pelo Governo do Distrito Federal chega à semana decisiva com Celina Leão (PP) em posição de vantagem sobre Leandro Grass (PT). A governadora, que assumiu o comando do Executivo local em março deste ano, após a saída de Ibaneis Rocha (MDB), entra na reta final do segundo turno sustentada pelo desempenho nas urnas, pela liderança nos levantamentos eleitorais e pela articulação de uma ampla coligação partidária.

O cenário, entretanto, não se resume aos números das pesquisas. A eleição coloca em confronto dois projetos políticos distintos e submete o grupo que governou o DF nos últimos anos a uma avaliação que envolve continuidade administrativa, identidade política, capacidade de articulação e credibilidade pública.

Celina chega à etapa decisiva com uma vantagem expressiva, mas também diante de um contexto que exige atenção: o desgaste provocado pelas controvérsias envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), operação que passou a pressionar politicamente o grupo ligado ao ex-governador Ibaneis Rocha.

O resultado de domingo, 25 de outubro, deverá indicar não apenas quem comandará o Palácio do Buriti, mas também a força eleitoral que o grupo governista conseguirá preservar em um momento de elevada exposição política.

A vantagem de Celina nas pesquisas

Os levantamentos mais recentes apontam uma tendência favorável à governadora. Pesquisa Datafolha divulgada em 13 de outubro indicou Celina Leão com 55% das intenções de voto no segundo turno, contra 37% de Leandro Grass. Brancos e nulos somavam 5%, enquanto 3% dos entrevistados permaneciam indecisos.

No cálculo dos votos válidos, que exclui brancos, nulos e indecisos, a vantagem era de 60% a 40%. O levantamento ouviu 910 eleitores nos dias 6 e 7 de outubro, com margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A tendência também aparece em outros institutos. Levantamento da Real Time Big Data divulgado em 14 de outubro apontou Celina com 60% dos votos válidos, ante 40% de Grass. Em compilação publicada pelo Poder360 em 21 de outubro, os quatro levantamentos mais recentes considerados pelo veículo, realizados entre 6 e 19 de outubro, mostravam a governadora numericamente à frente.

Os dados indicam uma posição eleitoral confortável, embora pesquisas distintas não devam ser tratadas como uma única série estatística. O que importa, neste momento, é a convergência dos levantamentos em torno da liderança de Celina.

Celina Leão: experiência, articulação e identidade própria

A trajetória política de Celina Leão ajuda a explicar sua posição na disputa. Ex-deputada distrital e federal, ela chegou ao governo com experiência legislativa e conhecimento das relações entre Executivo, Legislativo e forças partidárias.

Sua coligação, formada por partidos como Republicanos, MDB, Podemos e PL, entre outras siglas e federações, representa um ativo relevante. Em eleições majoritárias, alianças ampliam a capacidade de mobilização, favorecem a presença territorial e podem contribuir para a construção de uma candidatura competitiva em diferentes segmentos do eleitorado.

Entretanto, uma aliança ampla também exige coordenação. Partidos que se unem para disputar uma eleição nem sempre compartilham as mesmas prioridades administrativas ou os mesmos interesses para o futuro. A capacidade de preservar essa unidade depois da votação será tão importante quanto a articulação construída durante a campanha.

A governadora precisa, portanto, equilibrar três dimensões: manter a base política que sustenta sua candidatura, apresentar resultados concretos de sua gestão e estabelecer uma marca própria que não dependa exclusivamente da continuidade do governo anterior.

Esse processo é particularmente importante porque o segundo turno transforma a natureza da disputa. Já não basta consolidar o eleitorado tradicional. É necessário conquistar ou manter a confiança de eleitores que, no primeiro turno, escolheram outros candidatos, além de reduzir resistências e evitar a desmobilização de apoiadores.

O que os números revelam sobre o eleitorado

A pesquisa Datafolha de outubro também oferece pistas sobre a composição do apoio eleitoral. No levantamento divulgado em 13 de outubro, Celina apresentava intenção de voto de 64% entre os homens e 47% entre as mulheres. Entre os evangélicos, o índice era de 74%, ante 49% entre os católicos.

O levantamento também apontou que, entre os eleitores de Paula Belmonte, terceira colocada no primeiro turno, 60% declaravam intenção de votar em Celina, 29% em Grass e 11% em branco ou nulo.

Esses recortes ajudam a compreender a distribuição do apoio, mas precisam ser interpretados com cautela. São resultados de uma pesquisa específica, sujeitos à margem de erro e às características de cada segmento. Não permitem concluir, isoladamente, quais fatores causam a preferência eleitoral.

Ainda assim, indicam que a governadora dispõe de uma base relevante e de espaço para ampliar sua votação entre eleitores que não a escolheram inicialmente. A transferência de votos, contudo, não é automática: o apoio de lideranças partidárias não significa necessariamente que todos os seus eleitores seguirão a mesma orientação.

A campanha entra, assim, em uma etapa na qual a capacidade de mobilização e a confiança na candidata podem pesar tanto quanto a exposição de propostas e a discussão sobre os problemas cotidianos do Distrito Federal.

Leandro Grass e o desafio de alterar a dinâmica da eleição

Do outro lado, Leandro Grass representa a alternativa de oposição ao grupo que esteve à frente do Executivo local nos últimos anos. Sociólogo, professor e ex-presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), ele chegou ao segundo turno com 34,47% dos votos válidos no primeiro turno, contra 49,93% de Celina.

A diferença inicial foi significativa e colocou a candidatura petista diante de uma tarefa complexa: ampliar sua base, reunir eleitores de outras candidaturas e transformar o segundo turno em uma avaliação mais direta sobre a gestão e os rumos políticos do DF.

Para encurtar a distância, Grass precisa demonstrar que sua proposta de governo oferece respostas convincentes para as principais demandas da população. Também precisa converter a rejeição ao grupo adversário em apoio efetivo à própria candidatura, um movimento que não acontece necessariamente de forma automática.

O desafio é ainda maior diante da liderança de Celina nos levantamentos recentes. Quando uma candidatura começa o segundo turno em posição confortável, a oposição precisa produzir uma mudança relevante na percepção do eleitor, e não apenas manter seu núcleo de apoiadores.

Por outro lado, a vantagem da governadora não elimina a importância da reta final. A participação eleitoral, a mobilização dos apoiadores, a repercussão de fatos novos e a avaliação dos candidatos podem influenciar o resultado até o encerramento da votação.

O que está em jogo para o Distrito Federal

O próximo governo terá de enfrentar questões estruturais que ultrapassam a disputa partidária. Saúde pública, segurança, mobilidade urbana, educação, geração de emprego, desenvolvimento econômico e equilíbrio fiscal permanecem entre os temas centrais da administração do DF.

A capital federal possui características próprias. Além das demandas de Brasília e das regiões administrativas, o governo precisa lidar com a integração metropolitana, a pressão sobre os serviços públicos e a necessidade de planejamento de longo prazo.

Nesse contexto, a discussão eleitoral precisa ir além da polarização entre continuidade e mudança. O eleitor tem o direito de saber quais políticas serão mantidas, quais deverão ser corrigidas e como as promessas serão transformadas em entregas verificáveis.

Para Celina, uma eventual vitória representará a oportunidade de iniciar um mandato legitimado diretamente pelas urnas, com maior autonomia para definir prioridades e consolidar sua liderança. Também ampliará a cobrança por resultados próprios, especialmente em áreas nas quais a população espera melhorias concretas.

Para Grass, a disputa representa a possibilidade de interromper a continuidade do grupo governista e estabelecer outra orientação política para o Distrito Federal.

Em ambos os casos, a questão decisiva será a capacidade de transformar o discurso de campanha em políticas públicas, com metas, recursos, transparência e prestação de contas.

A reta final: favoritismo não é resultado

A eleição de 25 de outubro chega com Celina Leão na dianteira das pesquisas e com uma vantagem que, neste momento, a coloca em posição competitiva privilegiada. A convergência dos levantamentos indica que a governadora conseguiu consolidar uma base eleitoral expressiva para o segundo turno.

Mas há uma diferença fundamental entre liderar as pesquisas e vencer a eleição. A primeira situação descreve uma tendência observada em determinado período. A segunda depende dos votos efetivamente registrados nas urnas.

A governadora precisa preservar sua vantagem, evitar que a crise política envolvendo o grupo ao qual pertence comprometa sua imagem e demonstrar que tem condições de conduzir o Distrito Federal com responsabilidade e independência administrativa.

Grass, por sua vez, precisa superar a diferença registrada no primeiro turno e convencer uma parcela maior do eleitorado de que sua candidatura representa uma alternativa viável.

O resultado será importante também para o futuro das forças políticas locais. Uma vitória expressiva de Celina fortalecerá sua liderança e poderá reorganizar o equilíbrio de poder no DF. Um resultado mais apertado, ou uma eventual vitória da oposição, produzirá consequências diferentes para os partidos, as alianças e a condução política da capital.

O dado mais relevante desta reta final é que Celina Leão chega à decisão eleitoral em posição de vantagem, mas diante de uma responsabilidade que vai além da campanha: consolidar uma liderança própria, preservar a confiança pública e demonstrar que o governo pode oferecer estabilidade sem abrir mão de transparência, eficiência e resultados.

No domingo, o eleitor decidirá mais do que o nome que ocupará o Palácio do Buriti. Definirá qual projeto político terá a responsabilidade de conduzir o Distrito Federal nos próximos anos.

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