A ligação de madrugada para o celular pessoal de Sarah Hershman era de uma paciente. Hershman, que trabalha em uma clínica de saúde pública em Nampa, não deveria fornecer seu número particular, mas o compartilha com alguns pacientes que sabe não terem a quem recorrer.
Sophia Perez, cuja família não tem plano de saúde, relatou com voz assustada que seu marido sentira uma ardência no globo ocular enquanto soldava. Sem condições de pagar uma ida ao pronto-socorro, a profissional fez perguntas minuciosas e conseguiu encaixá-lo na agenda da clínica naquele sábado.
A rede de proteção e os desafios financeiros
A Full Circle Health funciona há muito tempo como uma rede de proteção de último recurso no sistema de saúde. A unidade integra uma das 1.400 redes de centros de saúde qualificados pelo governo federal, que recebem recursos para atender pacientes independentemente da capacidade de pagamento.
Agora, o número de casos atendidos cresce enquanto a receita cai. Com a escalada dos cortes no Medicaid e a alta nos custos do Obamacare, médicos e orientadores recorrem a medidas extremas para viabilizar o atendimento de pessoas com problemas médicos complexos e sem seguro adequado.
Medidas extremas e atendimento sem remuneração
Profissionais da saúde vêm passando horas prestando atendimento sem remuneração, enviando orientações por e-mail e telefonando fora do expediente. Eles buscam medicamentos mais baratos e negociam com especialistas para aceitarem pacientes sem cobertura.
- Atendimento voluntário fora do expediente
- Busca por medicamentos mais econômicos
- Negociação direta com médicos especialistas
- Realização de exames preparatórios por conta própria
Mudanças nas regras e impacto na população
O estado tem sido agressivo na exclusão de beneficiários do Medicaid nos últimos anos. A partir de janeiro, as novas exigências de trabalho para a elegibilidade começam a vigorar, o que deve impactar severamente pacientes com renda abaixo dos limites estabelecidos.
Os pacientes terão de comprovar trabalho ou serviço voluntário por pelo menos 80 horas mensais nos três meses anteriores. A expectativa é que tais exigências reduzam em 5 milhões o número de beneficiários do programa em todo o país, segundo estimativas oficiais divulgadas pelo Escritório de Orçamento do Congresso.