Quase três décadas após o longa de 1998 se consolidar como um clássico cult das sessões de conforto, a família Owens está oficialmente de volta aos cinemas. Baseado no livro The Book of Magic (2021), de Alice Hoffman, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor resgata o charme de Massachusetts para expandir as dinâmicas de poder e as Maldições da linhagem Owens em escala internacional.
A trama reencontra as irmãs Sally (Sandra Bullock) e Gillian (Nicole Kidman) em uma fase mais madura da vida, o foco da história, no entanto, desloca-se para a nova geração: Kylie (Joey King) e Antonia (Maisie Williams), as filhas de Sally, que agora enfrentam as complicações da maturidade e as consequências de carregar a magia nas veias.
Quando uma nova e perigosa ameaça ligada à origem do feitiço familiar surge, as mulheres Owens, incluindo o carismático retorno das tias Jet (Dianne Wiest) e Franny (Stockard Channing) precisam cruzar o Atlântico rumo ao Reino Unido para confrontar a verdadeira raiz da maldição ancestral, nessa jornada, cruzam o caminho de Ian Wright (Lee Pace), um acadêmico especializado na história da feitiçaria.

O maior triunfo do longa reside no reencontro de Sandra Bullock e Nicole Kidman, a irmandade entre as duas atrizes permanece intacta, transmitindo sem esforço a cumplicidade e as rusgas típicas de irmãs que marcam a franquia desde os anos 90, a presença das veteranas Dianne Wiest e Stockard Channing garante a ancoragem emocional necessária para os fãs do longa original.

Sob a direção de Susanne Bier (Bird Box), a produção ganha contornos mais maduros nas cenas de tensão e beneficia-se de uma cinematografia cuidadosa, a adição de Joey King e Maisie Williams funciona bem para dialogar com um público mais jovem, enriquecendo o leque de dilemas sobre herança, laços de sangue e livre-arbítrio.

Apesar de seu apelo afetivo, o filme sofre com o excesso de subtramas acumuladas na tentativa de abarcar tantos personagens, com isso, arcos que poderiam ser melhor aprofundados como a relação entre as irmãs da nova geração e as interações com os novos interesses amorosos acabam perdendo espaço em meio ao ritmo acelerado do terceiro ato.

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor entrega exatamente o que promete ao seu público-alvo: uma atmosfera aconchegante, momentos divertidos de cumplicidade feminina e uma dose reconfortante de nostalgia. Mesmo sem revolucionar a fórmula do primeiro filme, a sequência consegue reacender a chama da franquia e celebrar a força do afeto em família.
Nota 4/5