Declarações do presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, durante um evento em Brasília,reacenderam as discussões sobre os desdobramentos jurídicos envolvendo a inelegibilidade e os processos criminais contra o ex-presidente Jair Bolsonaro. O dirigente previu uma possível “reviravolta” no Supremo Tribunal Federal (STF) com a análise de recursos protocolados pela defesa.

A movimentação ocorre no mesmo contexto em que a Polícia Federal realizou diligências de busca e apreensão na residência do ex-presidente em Brasília, sem a apreensão de materiais ilícitos na ocasião.
A estratégia da Revisão Criminal no STF
A principal aposta da equipe jurídica e da liderança do PL é o protocolo de duas revisões criminais referentes à condenação a 27 anos e 3 meses de prisão imposta pelo STF no processo sobre a suposta tentativa de golpe de Estado.
Distribuição e Relatoria: O recurso contra a condenação foi distribuído ao ministro Kassio Nunes Marques, cabendo ao ministro André Mendonça o papel de revisor do processo no STF — ambos indicados ao tribunal durante o mandato de Bolsonaro.
Objetivo Jurídico: A defesa busca a anulação ou a revisão da pena com base em alegações de nulidades processuais e erro de julgamento. Caso o recurso avance e obtenha provimento no Plenário, poderia gerar o efeito de restabelecer os direitos políticos do ex-presidente para disputar o pleito de 2026.
O Paralelo de Valdemar: Durante seu discurso, Valdemar Costa Neto comparou a articulação atual à anulação dos processos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2021, ressaltando que decisões de instâncias superiores podem alterar prazos e condições de elegibilidade no ambiente político.
Os entraves e a avaliação de especialistas
Apesar do otimismo demonstrado pela cúpula do PL, analistas jurídicos e juristas apontam que as chances de anulação de condenações por meio de revisão criminal no plenário do STF enfrentam barreiras consolidadas:
O desafio da jurisprudência: A revisão criminal é um remédio jurídico de caráter excepcional, exigindo a demonstração inequívoca de provas novas ou de erro judiciário flagrante. Diante da maioria formada nos julgamentos do plenário do STF em torno das ações penais contra o ex-presidente, a reversão total das sanções antes do prazo de registro de candidaturas é avaliada como de altíssima complexidade técnica.
Até o desfecho das análises pelo relator e pela Suprema Corte, o cenário político segue acompanhando as tratativas de bastidor do PL para a definição de estratégias eleitorais definitivas para o pleito de 2026.