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Marcelo Paz deixa o Corinthians sob forte pressão e escancara desorganização da diretoria

Após dez meses de trabalho, executivo paga o preço por jejum de nove jogos sem vitória, mas bastidores revelam que a culpa pelo colapso está longe de ser exclusiva do dirigente.

O ambiente no Sport Club Corinthians Paulista sofreu mais um forte abalo nesta terça-feira. Em comunicado oficial, o clube confirmou o encerramento do ciclo do Executivo de Futebol, Marcelo Paz. A decisão foi selada em comum acordo após uma longa reunião com o presidente Osmar Stabile.

Leia a nota oficial do clube na íntegra:

“O Sport Club Corinthians Paulista informa que, após reunião realizada entre o presidente Osmar Stabile e o Executivo de Futebol Marcelo Paz, as partes decidiram, em comum acordo, pelo fim do ciclo de trabalho do profissional junto ao Clube. O Corinthians agradece os serviços prestados e deseja sucesso na sequência de sua trajetória profissional.”

O Melancólico Fim de um Jejum e a Pressão Insustentável

A demissão do executivo foi o estopim de uma crise técnica que se arrasta em campo. O Corinthians amarga um dramático jejum de nove jogos sem vitória no Campeonato Brasileiro. O último tropeço — um frustrante empate por 1 a 1 contra o Vitória na Neo Química Arena — empurrou o time para a 16ª colocação, flertando perigosamente com a zona de rebaixamento. Diante do futebol pobre apresentado pela equipe, as torcidas organizadas subiram o tom das cobranças e exigiram a cabeça do dirigente, tornando sua permanência insustentável.

Da Glória no Fortaleza ao Desgaste em São Paulo

Marcelo Paz chegou ao Parque São Jorge cercado de enormes expectativas em dezembro de 2025. Ele deixou o Fortaleza, clube onde construiu uma carreira vitoriosa de quase uma década e virou referência nacional de gestão, seduzido pelo desafio de reconstruir o Timão. No entanto, sua passagem pela capital paulista durou apenas dez meses, período em que acumulou acertos importantes, mas também erros cruciais de avaliação.

O Balanço da Gestão: Altos e Baixos

  • O que fez de bom: Logo no início de 2026, Paz capitaneou a montagem do elenco que conquistou a Supercopa do Brasil. Além disso, teve papel direto na reestruturação de contratos de patrocínio e, mais recentemente, costurou a impactante e ousada contratação do técnico holandês Clarence Seedorf.
  • O que fez de ruim: O dirigente pecou na reposição de peças importantes na janela de transferências do meio do ano. A insistência com atletas que não renderam inflou a folha salarial e ele falhou em blindar o vestiário diante das eliminações precoces no Campeonato Paulista e nas quartas de final da Libertadores.

A Culpa Não É Só Dele: O Peso da Desorganização da Diretoria

Embora Marcelo Paz responda pelos erros no planejamento esportivo, analistas de bastidores apontam que colocá-lo como o único vilão da crise é um equívoco. O futebol do clube foi severamente asfixiado pela gritante desorganização política e administrativa da diretoria comandada por Osmar Stabile.

Durante os dez meses de Paz no cargo, o departamento de futebol conviveu com constantes atrasos no pagamento de direitos de imagem dos jogadores e funcionários. Para piorar, falhas administrativas da alta cúpula geraram sucessivos transfer bans da FIFA por dívidas antigas não pagas, impedindo o executivo de registrar novos reforços nos momentos mais críticos da temporada. Sem dinheiro, sem garantias e em meio a promessas não cumpridas pela presidência, o trabalho do profissional foi sabotado de cima para baixo.

Com a saída de Paz, o Corinthians agora busca um substituto às pressas para tentar salvar o time do rebaixamento nas rodadas finais do Brasileirão, enquanto a torcida exige mudanças profundas na própria gestão do clube.

 

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