Deputada eleita desativa rede social após denunciar ameaças de morte e violência sexual
Ana Elisa afirma que ataques se intensificaram após divulgação de uma suposta publicação atribuída a ela por Nikolas Ferreira; parlamentar eleita nega autoria do conteúdo e pretende recorrer à Justiça Eleitoral
A deputada federal eleita por Minas Gerais Ana Elisa (PT), de 21 anos, anunciou que sua conta na rede social X foi desativada após uma sequência de ameaças de morte e violência sexual. Segundo a parlamentar eleita, as intimidações aumentaram na quinta-feira (8), depois que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) divulgou uma suposta publicação atribuída a ela.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Ana Elisa relatou que sua equipe decidiu retirar temporariamente o perfil do ar diante da frequência e da gravidade das mensagens recebidas. Conforme seu relato, as ameaças chegavam em intervalos de aproximadamente dois minutos.
A petista também demonstrou preocupação com sua integridade física e afirmou que ainda não dispõe de uma estrutura específica de segurança para enfrentar a situação.
O episódio teve início após Nikolas Ferreira compartilhar uma imagem que seria de uma publicação feita em 2022. No conteúdo divulgado, Ana Elisa supostamente teria defendido que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) determinasse o fechamento de igrejas.
A deputada eleita negou ter produzido a mensagem e classificou a imagem como uma montagem. Ela informou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), alegando divulgação de informações falsas.
Ao compartilhar o material, Nikolas escreveu que já havia conseguido mudar votos com a publicação. A declaração ocorreu em meio à campanha do segundo turno das eleições presidenciais.
Ana Elisa também atribuiu a Nikolas Ferreira, Gleidson e Eduardo Azevedo, irmãos do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), responsabilidade pela propagação do conteúdo que considera falso.
Segundo a parlamentar eleita, a circulação da imagem contribuiu para ampliar as manifestações de hostilidade direcionadas a ela. A relação entre a divulgação da publicação e as ameaças relatadas, contudo, depende de apuração pelas autoridades competentes.
A jovem afirmou ainda que esperava uma disputa eleitoral concentrada em propostas e discussões políticas, sem ataques pessoais ou ameaças contra adversários.
O caso não representa o primeiro episódio de intimidação denunciado por Ana Elisa. Em setembro, ela já havia procurado a Polícia Civil para relatar ameaças de morte, estupro e manifestações racistas. A ocorrência passou a ser investigada.
As novas denúncias ampliam a discussão sobre a segurança de mulheres que ocupam espaços de representação política, especialmente diante da circulação de conteúdos contestados e de mensagens violentas nas plataformas digitais.
A eventual responsabilização pela divulgação da imagem e a identificação dos autores das ameaças dependerão das investigações e das medidas judiciais cabíveis.
Até o momento das declarações, Ana Elisa mantinha a decisão de deixar sua conta no X desativada como medida de proteção, enquanto busca providências diante dos ataques relatados.