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Dívida pública preocupa Lula, que busca alternativas para equilibrar contas e manter programas sociais

Luiz Inacio Lula da Silva, Brazil's president, during the European Union (EU) and Community of Latin American and Caribbean States (CELAC) summit in Brussels, Belgium, on Monday, July 17, 2023. The EU sees the summit as a key chance to reboot the bloc's relationship with the sub-continent as it competes for influence with China, tries to broaden support for Kyiv in its defense against Russia, and seeks to secure access to critical raw materials needed for its digital and green energy transitions. Photographer: Simon Wohlfahrt/Bloomberg via Getty Images

Dívida pública preocupa Lula, que busca alternativas para equilibrar contas e manter programas sociais

 

Presidente consulta integrantes da área econômica sobre controle de despesas, redução do endividamento e atração de investimentos para o quarto mandato

O crescimento da dívida pública brasileira levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a reunir, nesta quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada, em Brasília, integrantes de sua equipe econômica e antigos colaboradores para discutir medidas que poderão orientar o governo a partir de 2027.

A principal preocupação é encontrar alternativas para conter o avanço do endividamento federal sem comprometer os programas sociais. O governo também pretende estimular a entrada de investimentos estrangeiros para ampliar a atividade econômica e a arrecadação.

A dívida pública ultrapassou 82% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os indicadores apresentados nas discussões, acumulando crescimento de aproximadamente dez pontos percentuais durante o atual mandato.

Foram chamados para o encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ex-ministro Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que não pôde participar por incompatibilidade de agenda. O ex-ministro Guido Mantega também manifestou interesse em apresentar suas avaliações.

Controle de gastos divide opiniões

Entre as propostas em discussão estão mudanças na estrutura das despesas federais e a reorganização de políticas assistenciais.

Dario Durigan considera necessário adotar medidas graduais para controlar o crescimento dos gastos e melhorar a confiança dos investidores. O ministro também defende um ambiente econômico favorável à entrada de capital estrangeiro.

Fernando Haddad, por sua vez, trabalha com a possibilidade de integrar benefícios sociais em um modelo que permita maior organização dos recursos destinados à assistência à população.

Já Geraldo Alckmin defende a revisão de contratos, o corte de despesas administrativas e a redução de gastos considerados excessivos. O vice-presidente também aponta a necessidade de discutir supersalários, emendas parlamentares e despesas eleitorais.

Em outra linha, Guido Mantega avalia que o elevado patamar dos juros é um dos principais fatores de pressão sobre a dívida. Para ele, o crescimento econômico e a ampliação dos investimentos produtivos são fundamentais para melhorar as contas públicas.

A posição atribuída ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destaca a importância da estabilidade monetária, do cumprimento das metas de inflação e da autonomia da instituição.

Recursos naturais podem atrair investimentos

O governo também pretende aproveitar o interesse internacional em energia limpa, minerais estratégicos e projetos ambientais para ampliar a entrada de recursos no país.

Entre as oportunidades avaliadas estão investimentos relacionados à transição energética e à exploração de terras raras, consideradas importantes para diferentes setores industriais.

A expectativa é que esses projetos contribuam para a geração de empregos, o crescimento da economia e o aumento da arrecadação, reduzindo a necessidade de novos gastos públicos.

Reeleito em outubro, Lula busca construir uma estratégia econômica para o quarto mandato diante de diferentes propostas apresentadas por seus colaboradores.

As discussões ainda estão em fase inicial e não representam a definição de novas medidas. O desafio será conciliar a continuidade das políticas sociais com a necessidade de estabilizar a dívida e preservar a capacidade de investimento do governo federal.

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