Dívida pública preocupa Lula, que busca alternativas para equilibrar contas e manter programas sociais
Presidente consulta integrantes da área econômica sobre controle de despesas, redução do endividamento e atração de investimentos para o quarto mandato
O crescimento da dívida pública brasileira levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a reunir, nesta quinta-feira (5), no Palácio da Alvorada, em Brasília, integrantes de sua equipe econômica e antigos colaboradores para discutir medidas que poderão orientar o governo a partir de 2027.
A principal preocupação é encontrar alternativas para conter o avanço do endividamento federal sem comprometer os programas sociais. O governo também pretende estimular a entrada de investimentos estrangeiros para ampliar a atividade econômica e a arrecadação.
A dívida pública ultrapassou 82% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os indicadores apresentados nas discussões, acumulando crescimento de aproximadamente dez pontos percentuais durante o atual mandato.
Foram chamados para o encontro o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ex-ministro Fernando Haddad, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que não pôde participar por incompatibilidade de agenda. O ex-ministro Guido Mantega também manifestou interesse em apresentar suas avaliações.
Controle de gastos divide opiniões
Entre as propostas em discussão estão mudanças na estrutura das despesas federais e a reorganização de políticas assistenciais.
Dario Durigan considera necessário adotar medidas graduais para controlar o crescimento dos gastos e melhorar a confiança dos investidores. O ministro também defende um ambiente econômico favorável à entrada de capital estrangeiro.
Fernando Haddad, por sua vez, trabalha com a possibilidade de integrar benefícios sociais em um modelo que permita maior organização dos recursos destinados à assistência à população.
Já Geraldo Alckmin defende a revisão de contratos, o corte de despesas administrativas e a redução de gastos considerados excessivos. O vice-presidente também aponta a necessidade de discutir supersalários, emendas parlamentares e despesas eleitorais.
Em outra linha, Guido Mantega avalia que o elevado patamar dos juros é um dos principais fatores de pressão sobre a dívida. Para ele, o crescimento econômico e a ampliação dos investimentos produtivos são fundamentais para melhorar as contas públicas.
A posição atribuída ao presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destaca a importância da estabilidade monetária, do cumprimento das metas de inflação e da autonomia da instituição.
Recursos naturais podem atrair investimentos
O governo também pretende aproveitar o interesse internacional em energia limpa, minerais estratégicos e projetos ambientais para ampliar a entrada de recursos no país.
Entre as oportunidades avaliadas estão investimentos relacionados à transição energética e à exploração de terras raras, consideradas importantes para diferentes setores industriais.
A expectativa é que esses projetos contribuam para a geração de empregos, o crescimento da economia e o aumento da arrecadação, reduzindo a necessidade de novos gastos públicos.
Reeleito em outubro, Lula busca construir uma estratégia econômica para o quarto mandato diante de diferentes propostas apresentadas por seus colaboradores.
As discussões ainda estão em fase inicial e não representam a definição de novas medidas. O desafio será conciliar a continuidade das políticas sociais com a necessidade de estabilizar a dívida e preservar a capacidade de investimento do governo federal.