A discussão sobre a atualização da metodologia do Produto Interno Bruto (PIB) conduzida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ganhou forte repercussão nas redes sociais e nos meios econômicos.
O debate envolve a terceira grande revisão das Contas Nacionais em duas décadas, adequando as estatísticas do país aos manuais internacionais de contabilidade social das Nações Unidas (ONU).
A polêmica centra-se na potencial mensuração de atividades do mercado informal e ilegal, como as apostas esportivas eletrônicas (bets),
o contrabando e o mercado de entorpecentes. Segundo análises técnicas, essas atividades movimentam somas expressivas na economia e se enquadram na definição de transações econômicas bilaterais. Por outro lado, o debate levanta questionamentos sobre a percepção real de riqueza da população frente aos indicadores oficiais divulgados pelo governo federal em nossas coberturas de economia.
Critério das transações voluntárias e a discussão sobre a corrupção
Dentro da metodologia estatística internacional, a inclusão de atividades na contabilidade do PIB obedece ao critério de transação voluntária.
Trata-se de operações em que ambas as partes concordam livremente com o negócio, como na compra de um bem ou na realização de uma aposta digital.
Por essa razão, crimes com uso de violência ou coerção a exemplo de roubos, furtos e extorsões — continuam obrigatoriamente fora do cálculo, pois configuram transferências forçadas de patrimônio.
No caso específico da corrupção e do pagamento de propinas, existe uma controvérsia técnica. Embora haja duas partes envolvidas, a avaliação predominante é que o ato não gera um bem ou serviço novo, tratando-se meramente de uma redistribuição ou desvio de valores já existentes na economia.
Impacto projetado no valor total do PIB brasileiro

Estudos do economista Bráulio Borges, associado à Fundação Getulio Vargas (FGV) e à LCA Consultores, indicam que a revisão conceitual das Contas Nacionais pode fazer o indicador dar um salto estatístico entre 4% e 5%.
Atualmente, o Produto Interno Bruto brasileiro é estimado em cerca de R$ 13,7 trilhões. Com a aplicação dos novos parâmetros de mensuração e a atualização do ano-base das contas, o valor nominal ultrapassaria a barreira dos R$ 14 trilhões de reais.
Contudo, economistas e analistas de mercado enfatizam que esse crescimento no papel não se traduz em aumento automático da renda, criação de empregos formais ou ganho no poder de compra das famílias, tratando-se de um ajuste estritamente metodológico das estatísticas públicas.