PUBLICIDADE

Empresa de apostas ligada a investigação sobre Flávio Bolsonaro pagou R$ 5 milhões por licença e interrompeu operações

Rede Loto, vinculada ao advogado Willer Tomaz, aparece em apuração da Polícia Federal sobre relações financeiras que também envolvem o senador e candidato à Presidência da República

Uma empresa de apostas esportivas ligada a uma investigação da Polícia Federal que envolve o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) está no centro de questionamentos sobre sua atuação no mercado brasileiro. A Rede Loto desembolsou R$ 5 milhões para obter autorização de funcionamento no Rio de Janeiro, mas passou por sucessivas mudanças de marca e interrupções de suas atividades pouco tempo depois dos lançamentos.

A companhia tem entre seus sócios o advogado Willer Tomaz e familiares dele. O nome do profissional aparece em investigações que também examinam possíveis relações financeiras com Flávio Bolsonaro.

A Rede Loto pertence à Cathedral Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, que, segundo as informações divulgadas, realizou pagamentos de viagens do senador. Essa ligação passou a integrar os elementos examinados nas apurações policiais.

O histórico da empresa chama a atenção pela rapidez com que conseguiu autorização para atuar no setor de apostas esportivas no Rio de Janeiro.

Criada poucos dias antes da abertura do processo de credenciamento, a Rede Loto apresentou sua documentação às 9h09 do primeiro dia de inscrições, em 2023. Na mesma noite, os documentos já haviam sido aprovados pela Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj).

Na ocasião, a autarquia era presidida por Hazenclever Cançado (PL), advogado que já havia atuado profissionalmente ao lado de Willer Tomaz e mantinha vínculos com integrantes do Partido Liberal.

Antes de assumir a presidência da Loterj, Cançado havia trabalhado como assessor do senador Magno Malta (PL-ES).

Em 24 de maio de 2023, a Rede Loto já estava habilitada a explorar apostas esportivas no estado. O pagamento de R$ 5 milhões pela autorização foi realizado pela Cathedral Holdings, utilizando uma conta bancária de uma agência localizada na Asa Sul, em Brasília.

Apesar do investimento milionário, a trajetória comercial da empresa foi marcada por operações de curta duração.

A primeira plataforma lançada foi a Loto Carioca, que começou a divulgar suas atividades nas redes sociais em junho de 2023. O perfil chegou a publicar uma campanha com participação do ator Eri Johnson, mas deixou de receber atualizações menos de dois meses depois.

Em outubro daquele ano, o endereço eletrônico da plataforma já havia sido retirado do ar, conforme informações atribuídas à própria empresa.

Posteriormente, a operação passou a utilizar o nome BestBet, lançada em novembro de 2023. A nova marca manteve publicações frequentes sobre apostas e resultados esportivos, mas interrompeu as atualizações em janeiro de 2024.

O endereço eletrônico da BestBet, entretanto, teria permanecido disponível até pelo menos setembro daquele ano.

Segundo as informações divulgadas, a Rede Loto chegou a lançar três plataformas e informou ter incorporado uma quarta operação, embora as atividades comerciais tenham apresentado sucessivas interrupções.

A relação entre a empresa, Willer Tomaz e Flávio Bolsonaro passou a ser examinada pela Polícia Federal no contexto de investigações sobre possíveis irregularidades financeiras.

Os investigadores buscam esclarecer a natureza dos vínculos identificados, incluindo movimentações de recursos e eventuais pagamentos relacionados ao parlamentar.

A existência de uma relação comercial ou pessoal entre os envolvidos não comprova, por si só, a prática de crimes. Da mesma forma, a interrupção das atividades de uma empresa após a obtenção de licença não constitui necessariamente uma irregularidade.

O caso acrescenta novos elementos às apurações que envolvem o advogado Willer Tomaz e suas conexões com o setor de apostas, enquanto a Polícia Federal procura determinar se as informações reunidas indicam possíveis infrações financeiras.

As investigações seguem em andamento, sem que os fatos relatados representem conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal de Flávio Bolsonaro ou dos demais envolvidos.

Veja também