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Entidades médicas pressionam Anvisa pela proibição dos chamados chips da beleza

Entidades médicas pressionam Anvisa pela proibição dos chamados chips da beleza

Doze entidades médicas de renome nacional e internacional uniram forças para solicitar formalmente à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) a retirada imediata de circulação dos implantes hormonais, popularmente conhecidos como chips da beleza. O movimento, consolidado em uma carta aberta, alerta para a ausência de evidências científicas que sustentem a segurança e a eficácia desses dispositivos, frequentemente utilizados para fins estéticos e de performance física.

A iniciativa, apresentada durante o 20º Congresso Mundial de Menopausa, reflete uma preocupação crescente da comunidade científica diante da proliferação de formulações manipuladas que prometem resultados como emagrecimento, ganho de massa muscular e efeitos antienvelhecimento. Especialistas reforçam que, ao contrário das terapias hormonais convencionais, esses implantes carecem de estudos clínicos rigorosos que validem seu uso para tais finalidades.

Riscos à saúde e ausência de respaldo científico

O documento encaminhado à agência reguladora detalha uma série de complicações graves associadas ao uso desses implantes. Entre os riscos apontados pelos médicos estão alterações cardiovasculares e metabólicas, problemas hepáticos, episódios de tromboembolismo e risco elevado de acidente vascular cerebral (AVC). Além disso, há preocupações significativas sobre o potencial impacto no desenvolvimento de câncer.

As entidades destacam que, embora a terapia hormonal seja um tratamento médico estabelecido para a menopausa, o cenário muda drasticamente com as formulações manipuladas. Segundo os especialistas, essas versões combinam substâncias e dosagens que não passaram por processos adequados de testagem, colocando a saúde das pacientes em vulnerabilidade diante de promessas de bem-estar sem comprovação técnica.

Dificuldades no controle da administração hormonal

Um dos pontos críticos levantados pelos especialistas diz respeito à farmacocinética dos dispositivos. Diferente de medicamentos convencionais, onde a dosagem pode ser ajustada ou a administração interrompida rapidamente em caso de efeitos colaterais, o hormônio liberado pelo implante permanece no organismo por um período prolongado de meses.

A carta ressalta que, diante de reações adversas ou concentrações elevadas, não existe uma forma de interromper prontamente a exposição hormonal. A complexidade aumenta no caso dos chamados pellets bioabsorvíveis, cuja remoção física do organismo pode ser difícil ou incompleta, prolongando os riscos à saúde da paciente mesmo após a tentativa de suspensão do tratamento.

Marketing e o uso do termo bioidêntico

O setor médico também contesta a estratégia de marketing que envolve esses produtos, especificamente o uso do termo bioidêntico. Para as entidades, essa nomenclatura é utilizada como um artifício comercial para conferir uma falsa sensação de segurança e naturalidade ao produto, sem que isso garanta qualquer padrão de qualidade farmacêutica ou eficácia terapêutica comprovada.

O posicionamento das entidades, que inclui organizações como a Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), visa proteger a população de práticas sem respaldo científico. A expectativa é que a Anvisa avalie os riscos apontados e tome medidas regulatórias que limitem a exposição das mulheres a esses dispositivos de procedência e segurança questionáveis.

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