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ESCÂNDALO NA CÂMARA: O GRUPO “VIP” DAS HORAS EXTRAS DE R$ 9,3 MILHÕES

ESCÂNDALO NA CÂMARA: O GRUPO “VIP” DAS HORAS EXTRAS DE R$ 9,3 MILHÕES

Um levantamento detalhado de dados públicos da Câmara dos Deputados, revelado nesta sexta-feira (17/04/2026), trouxe à tona o que vem sendo chamado de “farra das horas extras”. Um grupo seleto de apenas 13 servidores concursados, que ocupam cargos estratégicos na cúpula da Casa, acumulou um total de R$ 9,3 milhões apenas em pagamentos por jornadas extraordinárias desde 2016.

A grande polêmica reside no fato de que, por serem consideradas verbas de natureza “indenizatória” ou extraordinária, esses valores não entram no cálculo do teto constitucional (atualmente fixado pelo subsídio dos ministros do STF). Isso permite que servidores que já recebem salários no topo da carreira (cerca de R$ 35 mil) engordem seus contracheques com adicionais que, em alguns meses, superam o próprio salário-base.


Deputada Antônia Lúcia expôs traição de Silas Câmara. Foto: Reprodução/Redes sociais

Os Números da “Elite” Administrativa

A investigação, baseada em raspagem de dados do portal de transparência, aponta que os valores recebidos individualmente são astronômicos para padrões do funcionalismo público:

• Liderança no Ranking: O advogado-adjunto da Câmara, Daniel Borges de Moraes, lidera a lista com um acúmulo de R$ 1,06 milhão em horas extras no período analisado. Somente em 2025, ele recebeu R$ 174,6 mil extras.

• Diretoria-Geral: O atual diretor-geral, Guilherme Barbosa Brandão, que assumiu o posto sob a gestão de Hugo Motta, soma R$ 823,9 mil em adicionais desde 2016. Em março de 2026, ele recebeu quase R$ 23 mil sob esta rubrica.

• Cargas Horárias Improváveis: Analistas apontam que, para atingir certos valores pagos em meses específicos, o servidor precisaria cumprir o limite máximo de horas extras nos dias úteis e trabalhar entre 18 e 25 horas por dia em todos os fins de semana do mês.

A Defesa Institucional

Em nota oficial, a Câmara dos Deputados defendeu os pagamentos, afirmando que os servidores em postos de comando cumprem “jornadas extenuantes” para garantir o funcionamento do processo legislativo, que muitas vezes se estende por madrugadas e feriados.

“A realização de serviço extraordinário por esses servidores observa rigorosamente todos os requisitos estabelecidos na Lei nº 8.112/1990, bem como os normativos internos da Casa”, declarou a instituição.”

Impacto Político e Transparência

O caso gera um desgaste imediato para a imagem do Legislativo, especialmente no momento em que o Congresso discute reformas administrativas e o fim da jornada 6×1 para o trabalhador comum.

O Que Acontece Agora?

1. Pressão Popular: Movimentos de renovação política e fiscalização do gasto público prometem acionar o Ministério Público de Contas para auditar as folhas de ponto biométricas desses servidores.

2. Revisão de Normas: Parlamentares da oposição e da ala independente estudam apresentar um projeto de lei para incluir as horas extras de cargos de confiança no cálculo do teto constitucional.

3. Fiscalização Interna: O coordenador da Comissão Permanente de Disciplina, Thiago de Matos Lauria, também aparece na lista de beneficiários de remunerações eventuais, o que levanta questionamentos sobre a independência da fiscalização interna.

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