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Falsificação de remédio contra câncer continha apenas sódio e cloro, aponta laudo

Falsificação de remédio contra câncer continha apenas sódio e cloro, aponta laudo

Uma análise laboratorial revelou que lotes de um medicamento de alto custo utilizado no tratamento do câncer não continham o princípio ativo pembrolizumabe. Em vez da substância terapêutica original, o produto era composto apenas por água com sódio e cloro. A substância falsificada atinge o imunoterápico Keytruda, fabricado pela MSD, e foi identificada no âmbito da Operação Laziosi, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Estado de São Paulo em conjunto com a Polícia Civil.

As investigações apuram a atuação de uma rede suspeita de comercializar medicamentos oncológicos adulterados e realizar lavagem de dinheiro em diferentes regiões do país. O alerta inicial partiu do Hospital IGESP, situado na capital paulista, após adquirir uma unidade da distribuidora Nacionalfarma, sediada em Araraquara (SP), e solicitar a verificação oficial da procedência do produto ao laboratório farmacêutico responsável.

Laudo pericial confirma falsificação e ausência de princípio ativo

A checagem de autenticidade foi conduzida pelo laboratório forense da farmacêutica MSD a partir de um frasco entregue em agosto de 2024. Os testes foram concluídos em 27 de setembro do mesmo ano e atestaram a ausência total do princípio ativo pembrolizumabe, elemento fundamental no tratamento de variados tipos de tumores.

A perícia técnica identificou diversas divergências visuais e estruturais em relação ao produto autêntico. O número de lote impresso na caixa (A101547) divergia do código registrado no frasco (A1D1547). Além disso, a embalagem exibia uma data de validade com um algarismo excedente, constando o ano incorreto de 22024.

Outras irregularidades incluíam a ausência da tampa plástica de proteção, dimensões alteradas da caixa de papelão e falhas na bula, entregue como livreto em vez de dobrada. A raspadinha de segurança da embalagem também não apresentava as informações codificadas que deveriam ser reveladas após o contato com metal.

Laudos da Polícia Científica e alcance das distribuições

Além das análises da farmacêutica, a Polícia Científica de São Paulo realizou exames periciais no material recolhido no Hospital IGESP e em uma segunda amostra apreendida no Hospital Monte Sinai, em Juiz de Fora (MG). Ambos os lotes examinados haviam sido comercializados pela empresa Nacionalfarma.

Os exames da perícia oficial confirmaram que as amostras dos lotes A101547 e A102646 eram falsificadas. Os levantamentos da apuração indicam que a distribuidora emitiu 39 notas fiscais de venda do medicamento Keytruda entre janeiro e novembro de 2024, totalizando movimentações de R$ 1,5 milhão para compradores em sete estados.

Posicionamento das entidades e desdobramentos operacionais

A fabricante MSD informou que lamenta o ocorrido e destacou que a utilização de produtos falsificados representa um grave risco à saúde e à vida dos pacientes. A empresa declarou que permanece prestando assistência contínua aos órgãos de segurança e de Justiça durante o andamento do processo investigativo.

O Hospital IGESP e a distribuidora Nacionalfarma foram procurados para prestar esclarecimentos sobre a administração dos medicamentos e o histórico dos registros de estoque, mas não responderam aos contatos até a publicação desta reportagem. A Operação Laziosi prossegue na identificação de outros possíveis destinatários da mercadoria adulterada.

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