A FIFA e a Federação Saudita de Esports anunciaram oficialmente o adiamento por tempo indeterminado do FIFAe Finals 2026, que seria realizado em Jeddah entre 16 e 25 de outubro. A decisão emergencial foi tomada após uma grave escalada na crise de segurança na Arábia Saudita, desencadeada por um ataque de mísseis contra o aeroporto de Riad no último sábado (10), que deixou 12 mortos. O clima de instabilidade provocou a retirada antecipada das delegações do Brasil e do Japão, gerando um efeito dominó que paralisou outras grandes competições e forçou o cancelamento de um evento que coroaria os campeões mundiais de eFootball™ e Rocket League.
O estopim: Ataque letal aciona alerta vermelho
O cenário de guerra na região se agravou após o grupo rebelde houthi, do Iêmen, assumir a autoria de um bombardeio direcionado ao aeroporto internacional da capital, Riad. Considerado o ataque mais letal em solo saudita em mais de uma década, o episódio resultou em pelo menos 12 mortes e mais de 300 feridos.
Com o espaço aéreo sob constante ameaça de interceptação de mísseis e drones, as operações logísticas para o país se tornaram inviáveis, forçando as entidades esportivas a priorizarem a integridade física de atletas e comissões técnicas.
Competição cancelada: O que estava em jogo?
O FIFAe Finals 2026 marcaria a consolidação de uma nova era para os esportes eletrônicos da FIFA, expandindo os horizontes da federação para além dos simuladores tradicionais. O torneio estava dividido em três grandes eixos competitivos globais:
- eFootball™ Console: O simulador da Konami que substituiu a antiga franquia oficial da FIFA. Doze seleções disputariam o título em plataformas de mesa, incluindo a eSeleção Brasileira, que garantiu vaga direta após conquistar o bicampeonato sul-americano.
- eFootball™ Mobile: Uma das vertentes mais populares do mundo, jogada em celulares e tablets, também contando com as 12 melhores seleções nacionais qualificadas.
- Rocket League: A grande novidade da temporada. A FIFA adotou o popular jogo de “futebol com carros movidos a foguete” da Psyonix/Epic Games para um torneio de seleções com 16 países participantes.
Debandada geral: Brasil liderou boicote por segurança
Antes mesmo do anúncio do cancelamento da FIFA, a eSeleção Brasileira e a delegação do Japão formalizaram sua desistência. Em nota oficial, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) informou que decidiu retirar seus jogadores após avaliar os riscos severos nos aeroportos de conexão.
O movimento dos dois países gerou uma forte pressão de bastidores. Federações de potências globais como Estados Unidos, Inglaterra, França, Austrália, África do Sul e Porto Rico já haviam sinalizado que não enviariam seus atletas caso o torneio fosse mantido, tornando o adiamento inevitável.
Apagão esportivo afeta futebol local e tênis
O impacto da crise militar não ficou restrito aos videogames. O governo saudita e as ligas locais correm para conter os danos em um calendário bilionário de eventos:
- Futebol Saudita: Partidas do Campeonato Saudita foram postergadas. Um jogo do Al-Nassr, clube de Cristiano Ronaldo, pela Champions League da Ásia em Riad sofreu atrasos devido à interceptação de mísseis na região, levando atletas estrangeiros a avaliarem a saída do país.
- Seis Reis do Tênis congelado: O “Six Kings Slam”, torneio de exibição milionário que contaria com astros da elite do tennis mundial a partir do dia 21 de outubro, foi transferido para o final de dezembro.
- Copa da Ásia em xeque: A Confederação Asiática de Futebol (AFC) já iniciou debates internos sobre a viabilidade de adiar a Copa da Ásia (prevista para janeiro de 2027) para o ano de 2028.
Até o momento, a FIFA e as autoridades locais não estipularam uma nova data ou local para a realização do Mundial de Esports.