O clube carioca entrou em campo com a frase “Proibir não é proteger” e acionou o ministro Luiz Fux para tentar barrar Medida Provisória que baniu os jogos online; perda do patrocínio da Betano gera rombo de R$ 400 milhões e ameaça permanência de craques.
Ofensiva jurídica no STF e o rombo milionário
Mas o protesto do Flamengo não ficou restrito às quatro linhas. Nos bastidores, a diretoria do clube acionou o Supremo Tribunal Federal (STF). O clube carioca pediu formalmente ao ministro Luiz Fux a concessão de uma liminar urgente para suspender os efeitos da Medida Provisória.
O ministro Fux aceitou o ingresso do Flamengo como amicus curiae (amigo da Corte) nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) que tramitam no tribunal. O clube argumenta que a proibição abrupta fere a segurança jurídica e os contratos vigentes. O impacto direto estimado pela diretoria rubro-negra em suas receitas gira entre R$ 400 milhões e R$ 430 milhões.
O motivo de tamanha urgência é o atual contrato com a patrocinadora máster, a Betano, avaliado em R$ 268,5 milhões anuais, que precisou ficar congelado (stand-by) devido às sanções que entraram em vigor nesta semana.
O fantasma do caixa e o risco para Paquetá e Samuel Lino
Mais do que o desfalque no orçamento futuro, a perda brusca da receita das apostas atinge diretamente o planejamento financeiro imediato e a manutenção do elenco de estrelas. O presidente do Flamengo, Luiz Eduardo Baptista (Bap), externou a preocupação interna sobre como o clube honrará os pesados investimentos realizados.
Impacto no Elenco
Caso a MP das Bets não seja derrubada no STF ou modificada pelo Congresso Nacional, o Flamengo precisará recorrer a receitas extraordinárias na próxima janela de transferências, admitindo colocar ativos valiosos no mercado europeu.
No centro dessa ameaça estão os craques Lucas Paquetá e Samuel Lino. Avaliados no mercado internacional entre 30 e 40 milhões de euros (cerca de R$ 168 milhões a R$ 224 milhões cada), ambos passam a figurar na vitrine de possíveis vendas para preencher a lacuna bilionária deixada pelo setor de apostas. O diretor de futebol, José Boto, admitiu em coletiva que o pior cenário exigirá negociar atletas de peso sem a capacidade de repor com a mesma qualidade técnica.
Enquanto os clubes da Série A pressionam o Judiciário e tentam articular emendas no Congresso para poupar as apostas esportivas da proibição, a expectativa se volta para o gabinete do ministro Luiz Fux, que deve decidir sobre a liminar nos próximos dias.
O Portal DF Notícias segue acompanhando o desdobramento deste caso que promete mudar os rumos do futebol brasileiro.