Esclarecimentos foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal após questionamentos sobre a utilização da imagem do ex presidente durante convenção partidária
A defesa do ex presidente Jair Bolsonaro informou ao Supremo Tribunal Federal que ele não autorizou a criação nem a divulgação do vídeo produzido por inteligência artificial apresentado durante a convenção nacional do Partido Liberal que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.
A resposta foi protocolada nesta quarta feira e traz a assinatura de um grupo de advogados, entre eles o próprio senador Flávio Bolsonaro. No documento, os defensores afirmam que Bolsonaro não participou da produção do conteúdo e que sequer teria condições de conceder qualquer autorização em razão das restrições judiciais às quais está submetido.
De acordo com a manifestação, as medidas cautelares em vigor impedem contatos presenciais entre pai e filho, afastando, segundo a defesa, qualquer possibilidade de articulação para a elaboração do vídeo. Os advogados sustentam que essa circunstância demonstra a inexistência de participação direta do ex presidente no material exibido durante o evento político.
Os esclarecimentos foram apresentados após o ministro Alexandre de Moraes solicitar informações sobre a origem da gravação. Na decisão, o magistrado ressaltou que uma eventual autorização de Bolsonaro para a divulgação de um conteúdo de natureza político eleitoral poderia caracterizar descumprimento das determinações impostas no âmbito da prisão domiciliar humanitária, abrindo caminho para a revisão do benefício.
Mesmo afastando qualquer envolvimento no episódio específico, a defesa argumentou que o uso da imagem pública de Jair Bolsonaro em campanhas e atos políticos realizados por seus familiares é uma prática recorrente desde o período em que ele ocupava a Presidência da República. Segundo os advogados, fotografias, discursos e gravações públicas sempre integraram materiais de divulgação política sem que houvesse qualquer objeção por parte do ex presidente.
A documentação agora será analisada pelo Supremo Tribunal Federal, que decidirá se as explicações apresentadas atendem aos questionamentos levantados no processo e se haverá novos desdobramentos relacionados ao caso.