Com nova lei sancionada pelo presidente Lula e a proximidade da Copa do Mundo de 2027 no Brasil, modalidade vive boom de investimentos e quebra de recordes no Brasileirão.
O futebol feminino no Brasil vive o período mais promissor e profissional de sua história. Impulsionada por avanços governamentais e pelo fortalecimento do mercado de clubes, a modalidade deixou em definitivo o status de promessa para se consolidar como um pilar estratégico do esporte nacional. Duas frentes principais consolidam este momento: uma forte transformação jurídica nas políticas públicas e o espetáculo técnico testemunhado nos gramados do país.
Marco Legal e o Olhar para o Ano Que Vem: A Copa do Mundo de 2027
Nesta segunda-feira (28), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.522/2026, que estabelece novas diretrizes estruturais para o desenvolvimento do futebol feminino. A assinatura ocorreu em solenidade na Base Aérea de Brasília. A medida coloca a categoria como prioridade na agenda esportiva nacional, exigindo igualdade de condições de trabalho, apoio à maternidade e o fim da disparidade nos investimentos de base entre os times masculinos e femininos.
A aprovação ganha força máxima com os preparativos para a Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA de 2027, que será sediada no Brasil entre os dias 24 de junho e 25 de julho do ano que vem. Diante disso, a nova legislação impõe obrigatoriedades rígidas para o cenário nacional:
- Plano de Legado: Exigência de um planejamento social, financeiro e estrutural focado na Copa de 2027, garantindo que o torneio gere impactos permanentes na modalidade.
- Profissionalização Obrigatória: Redução progressiva de contratos amadores em torneios oficiais. Na elite nacional, o limite inicial passa a ser de até quatro atletas não profissionais por equipe, avançando rumo aos contratos 100% profissionais.
- Equidade na Base: Clubes e associações ficam obrigados a oferecer às categorias de base femininas os mesmos equipamentos, estruturas e qualidade de comissão técnica destinados aos homens.
- Gestão Feminina e Proteção: Diretrizes para ampliar mulheres em cargos de liderança, na arbitragem e implantação de protocolos rígidos contra o machismo e a discriminação nos estádios.
O Jogo: São Paulo Desbanca Favoritismo e Quebra Tabu na Arena
Toda essa evolução estrutural pôde ser traduzida em paixão e técnica dentro de campo no último sábado (26). Corinthians e São Paulo abriram a grande final do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026 na Neo Química Arena, diante de um público inflamado de 21.871 torcedores. O resultado reescreveu a história recente do confronto clássico.
As “Brabas” do Corinthians ostentavam uma marca lendária: o time jamais havia perdido uma partida de futebol feminino na Neo Química Arena desde a inauguração do estádio. O roteiro parecia se repetir quando, logo aos 9 minutos do primeiro tempo, a experiente meia Gabi Zanotti abriu o placar de cabeça, explodindo a torcida alvinegra.
No entanto, as “Soberanas” do São Paulo justificaram a campanha de melhor equipe da primeira fase e mantiveram a frieza tática. Aos 20 minutos da etapa inicial, Giovanna Crivelari aproveitou a oportunidade para empatar o clássico. Na segunda etapa, o equilíbrio prevaleceu até que, aos 22 minutos, a atacante Isa Guimarães completou a virada tricolor, fechando o placar em 2 a 1 e derrubando a invencibilidade histórica do rival em Itaquera.
A Grande Decisão no MorumBis
Com o triunfo fora de casa, o São Paulo joga pelo empate no próximo sábado, 3 de outubro, às 16h30, para levantar a inédita taça de campeão brasileiro. Para o Corinthians, resta vencer por dois gols de diferença para garantir o título no tempo regulamentar ou por um gol para forçar a disputa por pênaltis.
A promessa é de um novo recorde. Com ingressos populares comercializados pelo São Paulo entre R$ 20 e R$ 40, a torcida tricolor promete lotar o MorumBis para superar as maiores marcas de público do futebol de clubes do país, celebrando o ano mais vitorioso da história do futebol feminino brasileiro