ZURIQUE — O presidente da FIFA, Gianni Infantino, vive o momento mais crítico de sua gestão e corre o risco de perder o cargo após sofrer uma debandada política sem precedentes. A crise institucional explodiu após a proposta polêmica de vender direitos comerciais da Copa do Mundo, gerando uma onda de rejeição global liderada por ex-aliados e grandes potências do futebol.
O ex-jogador português Luís Figo subiu o tom publicamente e exigeu a renúncia imediata de Infantino, classificando a conduta do mandatário como “enganosa”. Apesar de a FIFA ter recuado nos planos de investimento e convocado uma reunião de emergência para conter os danos, a pressão política atingiu o ponto de ruptura.
O Mapa Político da Crise
A reação global fragmentou o apoio ao presidente da FIFA entre rejeição total, cautela estratégica e busca por sobrevivência política:
- Oposição Declarada (UEFA, CONCACAF e AFC): As confederações da Europa, das Américas do Norte/Central e da Ásia retiraram oficialmente o apoio ao dirigente, asfixiando sua base política tradicional.
- Neutralidade Cautelosa (CONMEBOL): A confederação sul-americana adotou uma postura diplomática com o manifesto “Futbol Primero”. A entidade não rompeu com Infantino, optando por abrir consultas com suas federações para exigir mais explicações da FIFA, enquanto equilibra interesses vitais como os jogos de abertura da Copa do Mundo de 2030.
- O Fiel da Balança (CAF e OFC): Sem o suporte das potências europeias e asiáticas, Infantino depende quase que exclusivamente do bloco da Oceania e, principalmente, da África.
O Silêncio Decisivo da África
Até o momento, a Confederação Africana de Futebol (CAF) adota um silêncio estratégico. O continente africano detém um enorme bloco de votos e se posicionou como o “voto decisivo” (swing vote) nos bastidores.
A decisão de Marrocos e das demais federações africanas determinará se Infantino conseguirá resistir à pressão internacional ou se a FIFA caminhará para uma transição forçada de liderança.