Grupos voltam a ocupar área protegida e promovem divisão irregular de terrenos próximo à Floresta Nacional de Brasília 
Mesmo após operação de fiscalização, novos registros mostram tentativa de ocupação clandestina em área ambiental protegida nas proximidades do antigo Lixão da Estrutural
Uma área de proteção ambiental localizada nas proximidades do antigo Lixão da Estrutural voltou a ser alvo da ação de grileiros, poucos dias depois de uma operação de fiscalização que desmontou um loteamento clandestino na região. Novos vídeos mostram integrantes do grupo convocando pessoas interessadas em ocupar irregularmente os terrenos e orientando sobre a distribuição dos lotes.
Nas imagens, um homem identificado como Eliseu Martins Viana aparece instalado em meio à vegetação sobre colchões colocados no local. Durante a gravação, ele afirma que o grupo permanece na área há cerca de um mês com o objetivo de impedir que outras pessoas ocupem os terrenos antes da divisão entre os participantes.
Ainda nos registros, o homem orienta os interessados a comparecerem ao local preparados para iniciar novos trabalhos de abertura de acessos e afirma que a área possui fácil deslocamento, inclusive para quem pretende chegar de bicicleta.
Em outro momento, outro integrante do grupo explica como seria feita a distribuição dos terrenos entre os ocupantes, indicando que cada participante receberia posteriormente a localização exata do lote destinado.
A área citada pelos invasores está situada em região de proteção ambiental, sobreposta à Área de Proteção Ambiental do Planalto Central e próxima à Floresta Nacional de Brasília, espaço submetido a restrições ambientais e monitorado pelos órgãos de fiscalização.
Em um áudio atribuído ao mesmo grupo, um dos participantes afirma contar com apoio para enfrentar futuras ações de fiscalização, mencionando suposto respaldo de integrantes das forças de segurança e de advogados que buscariam medidas judiciais para impedir novas operações. As declarações, entretanto, não foram confirmadas pelas autoridades.
Na última operação realizada na região, equipes do DF Legal removeram 36 estruturas improvisadas de madeira e lona que estavam desocupadas, desmontaram aproximadamente dez quilômetros de cercas utilizadas para demarcar terrenos e descaracterizaram cerca de 500 lotes abertos de forma irregular.
Mesmo após a intervenção, os órgãos de fiscalização informaram ter recebido novos relatos sobre o retorno de invasores à área. Diante das denúncias, o local segue sob monitoramento para que novas medidas sejam adotadas caso sejam identificadas novas tentativas de parcelamento clandestino do solo.
As imagens também mostram sinais recentes de intervenção na vegetação, com abertura de caminhos de terra, limpeza de trechos da mata e instalação de estruturas precárias, características frequentemente associadas ao início de ocupações ilegais em áreas de preservação ambiental.
O caso reforça a preocupação das autoridades com o avanço da grilagem em regiões protegidas do Distrito Federal, prática que compromete a preservação ambiental, favorece parcelamentos clandestinos e pode gerar impactos permanentes ao patrimônio público e aos recursos naturais da região.
