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Avanço da inteligência artificial ameaça ampliar disparidades de gênero no trabalho

Avanço da inteligência artificial ameaça ampliar disparidades de gênero no trabalho
1 de 1 IA está criando grandes novas oportunidades, mas também pode aumentar a desigualdade, afirma ONU — Foto: Kirill KUDRYAVTSEV / AFP

A rápida ascensão da inteligência artificial (IA) no ambiente corporativo global trouxe um alerta urgente sobre os impactos socioeconômicos dessa tecnologia. De acordo com um relatório divulgado pelo Fórum Econômico Mundial (WEF) e pelo LinkedIn, a automação pode acentuar as desigualdades de gênero no mercado de trabalho, afetando desproporcionalmente funções ocupadas majoritariamente por mulheres.

Impacto da automação em cargos administrativos

O estudo aponta que as profissões mais suscetíveis à transformação pela IA são, justamente, aquelas que concentram uma força de trabalho feminina significativa. Saadia Zahidi, membro do comitê executivo do WEF, destacou que empregos de escritório qualificados, que garantiram estabilidade financeira para muitas mulheres nas últimas décadas, estão passando por mudanças estruturais profundas devido à nova tecnologia.

Sub-representação feminina no setor de tecnologia

A disparidade torna-se ainda mais evidente quando se analisa o núcleo das empresas que desenvolvem soluções de inteligência artificial. O levantamento revela que a presença feminina é consideravelmente menor nessas organizações em comparação com setores tradicionais, um padrão que se repete em todos os níveis hierárquicos.

Dados apresentados por Sue Duke, executiva do LinkedIn, reforçam a gravidade do cenário: as mulheres ocupam apenas um em cada cinco cargos voltados para a engenharia de IA. Essa baixa representatividade em áreas científicas e técnicas pode resultar em uma concentração das novas oportunidades econômicas geradas pela tecnologia nas mãos do público masculino.

Necessidade de políticas de inclusão e capacitação

Para mitigar o risco de retrocesso na equidade de gênero, especialistas defendem uma atuação coordenada entre governos e o setor privado. O foco deve ser o investimento em formação técnica para mulheres desde a base, garantindo que elas estejam aptas a ocupar funções estratégicas na nova economia digital.

O relatório anual do WEF também contextualiza o momento atual ao observar que, embora as desigualdades de gênero tenham diminuído globalmente nas últimas duas décadas, o ritmo de progresso sofreu uma desaceleração acentuada a partir de 2016. A integração da IA sem políticas de diversidade pode, portanto, comprometer ainda mais os avanços conquistados nos anos anteriores.

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