O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para cima a projeção de crescimento da economia global para 2026, elevando a estimativa de 3,0% para 3,1%. O movimento é sustentado, fundamentalmente, pelo volume expressivo de investimentos direcionados à infraestrutura de inteligência artificial, que tem atuado como um contrapeso importante diante das instabilidades geopolíticas e dos custos elevados de energia.
Embora o cenário apresente resiliência, a instituição alerta que a expansão econômica mundial permanece abaixo dos 3,5% registrados em 2025. O relatório, divulgado durante as reuniões anuais em Bangcoc, destaca que a tecnologia não apenas fomenta o crescimento, mas também redefine as dinâmicas de comércio internacional entre as nações que lideram o desenvolvimento de plataformas digitais.
O papel da tecnologia na resiliência econômica
O avanço da inteligência artificial tem sido o principal motor de dinamismo para grandes economias e países exportadores de componentes tecnológicos. Entre 2023 e 2025, o comércio de produtos ligados a esse setor cresceu 29%, um desempenho significativamente superior à média global de 8,3% no mesmo período.
Sem o aporte tecnológico, o crescimento do comércio mundial teria sido limitado a 4,6%. Países como Coreia do Sul, Malásia, México e Tailândia figuram entre os principais beneficiados por integrarem as cadeias produtivas globais de equipamentos essenciais para a expansão da IA.
Riscos geopolíticos e a dependência do setor
Apesar do otimismo tecnológico, a economista-chefe do FMI, Silvana Tenreyro, reforçou que a resiliência global está atingindo limites críticos. O prolongamento de conflitos no Oriente Médio mantém a pressão sobre os preços do petróleo, que permanecem acima de US$ 100 por barril, elevando os riscos inflacionários e o custo de dívidas públicas.
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, alertou para uma dependência excessiva do setor, descrevendo a economia atual como sustentada por uma única perna: a da inteligência artificial. Caso as expectativas de retorno sobre esses investimentos não se concretizem, o impacto nos mercados financeiros poderia reduzir o consumo e comprometer o crescimento do PIB global.
Desigualdade e desafios fiscais
O relatório aponta uma divergência crescente entre as nações. Atualmente, apenas 32 países respondem por 95% do crescimento global, evidenciando que o avanço tecnológico não tem sido distribuído de forma homogênea. Economias que dependem da importação de energia e que não estão integradas à cadeia de valor da IA enfrentam revisões negativas em suas projeções de crescimento.
Para mitigar riscos, o FMI defende que governos priorizem a recomposição do espaço fiscal e a construção de planos de médio prazo para a sustentabilidade da dívida. A instituição enfatiza a necessidade de reconstruir a resiliência do lado da oferta, preparando as nações para eventos climáticos extremos e para a volatilidade dos mercados de commodities.
Para mais detalhes sobre as perspectivas econômicas, consulte o relatório oficial do FMI.