A Polícia Federal (PF) deflagrou uma operação ostensiva que tem como alvo principal a estrutura financeira do banco controlado pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Por determinação da Justiça Federal, após pedido dos investigadores e manifestação do Ministério Público, as autoridades decretaram o bloqueio preventivo de R$ 670 milhões em ativos financeiros vinculados à instituição e a CPFs de investigados de primeiro escalão.
A ação investiga uma complexa engrenagem que envolve crimes contra o sistema financeiro nacional, evasão de divisas e lavagem de capitais.

O foco da investigação: Transações atípicas e fluxo financeiro
Os relatórios técnicos emitidos por órgãos de controle e inteligência financeira como o Coaf apontaram uma série de movimentações bancárias atípicas e incompatíveis com a capacidade econômica declarada de parte dos correntistas. A linha de investigação da PF aponta para os seguintes indícios:
Contas de Passagem: A suspeita é de que a estrutura bancária estaria sendo utilizada para a criação de contas de passagem, cujo objetivo principal seria fragmentar grandes quantias em dinheiro para dificultar o rastreamento por parte dos órgãos de fiscalização do Banco Central.
Envio de Recursos ao Exterior: Os investigadores analisam operações de câmbio que resultaram no envio de remessas milionárias para paraísos fiscais, simulando o pagamento de serviços prestados ou aquisição de bens que, segundo a fiscalização, carecem de lastro documental idôneo.
Mescla de Ativos: O inquérito busca esclarecer se recursos decorrentes de dízimos e doações religiosas foram misturados ao fluxo comercial do banco para ocultar e integrar capitais ao mercado formal.
O bloqueio dos R$ 670 milhões e as medidas cautelares
O congelamento das contas bancárias, que atinge o montante expressivo de R$ 670 milhões, visa garantir o ressarcimento dos cofres públicos e assegurar o pagamento de futuras multas em caso de condenação definitiva. Além do bloqueio financeiro, as equipes da PF cumpriram ordens judiciais de:
1. Busca e Apreensão: Recolhimento de mídias digitais, servidores de tecnologia, contratos de câmbio e livros contábeis tanto na sede do banco quanto em escritórios de consultoria ligadas aos principais diretores.
2. Afastamento de Sigilos: Quebra dos sigilos fiscal e bancário dos investigados no período dos últimos cinco anos para mapear toda a rede de beneficiários dos repasses.
Reações da instituição e defesa jurídica
Em nota distribuída à imprensa pelos assessores jurídicos, a direção do banco e os representantes de Edir Macedo declararam que todas as atividades da instituição financeira operam sob o mais rigoroso cumprimento das normas regulatórias estabelecidas pelo Banco Central do Brasil.
A defesa enfatizou que a operação policial é baseada em “ilações equivocadas” e que todos os valores movimentados possuem origem estritamente lícita e declarada. Os advogados informaram que já ingressaram com recursos junto aos tribunais superiores para demonstrar a regularidade das operações e obter a revogação imediata do bloqueio das contas, argumentando que a medida prejudica a saúde financeira da empresa de forma desproporcional.