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Jogadores de Futebol contra Sites de Apostas: Entenda a Briga que Foi Parar na Justiça

O que está acontecendo?

Uma briga inédita nos tribunais está mexendo com o futebol brasileiro. Alguns jogadores profissionais decidiram processar as grandes casas de apostas (as famosas bets). Eles exigem que os sites parem de usar seus nomes e dados imediatamente.
O movimento começou com quatro atletas: Gabriel Barros (América-MG), Guilherme Costa (Atlético Goianiense), Gustavo Vilar (Botafogo-SP) e Ricardo Bueno (Pouso Alegre-MG). Eles afirmam que as empresas lucram usando a imagem deles sem pedir autorização e sem pagar nada por isso.

O motivo da revolta: Dinheiro e falta de segurança

Os advogados dos jogadores explicam que as bets foram longe demais. Elas criaram as chamadas “apostas individuais”. São aqueles palpites onde o torcedor aposta se um jogador específico vai levar cartão amarelo, fazer uma falta ou marcar um gol na partida.
Os atletas dizem que nunca deixaram ninguém usar seus nomes para isso e que não ganham um centavo desse lucro. Para piorar, os jogadores contam que, quando jogam mal e estragam a aposta de alguém, passam a receber pesadas ofensas e até ameaças de agressão de apostadores revoltados na internet.

Até Mbappé comprou essa briga na Europa

Se engana quem pensa que essa revolta contra as bets é coisa de jogador de times menores. O astro mundial Kylian Mbappé bate o pé há anos para não associar seu rosto a marcas de apostas esportivas e fast-food.
O atacante da seleção francesa já comprou brigas pesadas com a Federação Francesa de Futebol, ao se recusar a participar de sessões de fotos de marcas patrocinadoras desse setor. Mbappé argumenta que essas empresas causam vício e danos financeiros profundos, principalmente em bairros pobres de onde saem muitos jovens jogadores, e defende que os atletas devem ser bons exemplos e ter controle total sobre onde sua imagem é colocada.

Alerta vermelho: O perigo real das máfias de apostas

Esse medo relatado pelos atletas brasileiros não é exagero. Como o nosso portal adiantou em uma matéria recente, o futebol sul-americano presenciou um caso assustador que mostra o tamanho do perigo desse mercado.
Na Bolívia, o goleiro Manuel Ferrel, do time Guabirá, sofreu ameaças de morte de uma máfia de apostas antes de enfrentar o Always Ready. Os criminosos avisaram que se ele não sofresse três gols no primeiro tempo, matariam a esposa e a mãe dele.
Desesperado e chorando no vestiário, o goleiro entrou em campo horrorizado, tomou os gols e pediu para ser substituído ainda no primeiro tempo. Até o atacante do time pediu para sair de campo chorando de tanto medo. O caso gerou uma denúncia pública do treinador e virou uma investigação policial urgente na Bolívia. É exatamente esse tipo de violência que os jogadores no Brasil querem evitar ao tirar seus nomes dos sites.

A resposta das Bets e a reviravolta no tribunal

No começo da briga brasileira, a Justiça deu razão aos jogadores. Juízes mandaram sites como Betano, Bet365, Cassino Bet e Verabet tirarem os nomes dos atletas do ar sob pena de multa.
Mas o caso teve uma reviravolta. Ao julgar a ação do atacante Ricardo Bueno contra a Betano, um juiz de São Paulo mudou o rumo da história e deu a vitória para o site de apostas. Os motivos foram:
  • Apenas texto: O site usa apenas o nome do jogador para montar as estatísticas do jogo, sem usar fotos dele.
  • Lei das Apostas: O juiz lembrou que a lei já obriga as empresas de apostas a repassarem uma parte do dinheiro arrecadado para os clubes, o que ajuda a pagar os salários dos profissionais.

Como isso muda o futuro do futebol?

Como essa decisão que favoreceu a empresa ainda é de primeira instância, os advogados do jogador vão recorrer. O resultado final dessa briga pode mudar o futebol de duas formas:
  1. Se os jogadores vencerem: Milhares de atletas vão poder processar as bets. Isso vai obrigar os sites a pagarem contratos individuais para cada jogador do país ou a apagarem as opções de apostas por cartões e faltas.
  2. Se as bets vencerem: O sistema atual continua igual, e os sites vão poder manter todas as opções de palpites que os torcedores já conhecem hoje.
A verdade é que essa disputa escancara um problema sério: até onde vai a liberdade das casas de apostas e onde começa o direito e a segurança dos atletas que entram em campo?

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